Psalms 79

KJV · Capítulo 79/150

1O God, the heathen are come into thine inheritance; thy holy temple have they defiled; they have laid Jerusalem on heaps.

2The dead bodies of thy servants have they given to be meat unto the fowls of the heaven, the flesh of thy saints unto the beasts of the earth.

3Their blood have they shed like water round about Jerusalem; and there was none to bury them.

4We are become a reproach to our neighbours, a scorn and derision to them that are round about us.

5How long, Lord? wilt thou be angry for ever? shall thy jealousy burn like fire?

6Pour out thy wrath upon the heathen that have not known thee, and upon the kingdoms that have not called upon thy name.

7For they have devoured Jacob, and laid waste his dwelling place.

8O remember not against us former iniquities: let thy tender mercies speedily prevent us: for we are brought very low.

9Help us, O God of our salvation, for the glory of thy name: and deliver us, and purge away our sins, for thy name’s sake.

10Wherefore should the heathen say, Where is their God? let him be known among the heathen in our sight by the revenging of the blood of thy servants which is shed.

11Let the sighing of the prisoner come before thee; according to the greatness of thy power preserve thou those that are appointed to die;

12And render unto our neighbours sevenfold into their bosom their reproach, wherewith they have reproached thee, O Lord.

13So we thy people and sheep of thy pasture will give thee thanks for ever: we will shew forth thy praise to all generations.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

Um lamento nacional após a destruição de Jerusalém e do templo: os corpos dos servos de Deus foram deixados sem sepultura, e o povo clama por socorro e vingança justa contra os invasores.

Explicação

Este é um salmo de lamento comunitário, gênero literário usado após grandes tragédias nacionais — muitos estudiosos associam este texto à queda de Jerusalém para os babilônios em 586 a.C. Não enterrar os mortos era considerada uma desonra extrema na cultura antiga, por isso o verso 3 enfatiza esse detalhe chocante. O salmo não esconde a dor nem finge conformismo; ele grita a Deus pedindo justiça, mas termina com um voto de louvor contínuo. A aplicação para hoje é que a fé bíblica permite lamentar abertamente diante de Deus sem que isso seja falta de fé.

Curiosidades

  • Salmos de lamento comunitário como este (também 74, 137) formam um gênero próprio no livro de Salmos, usados em momentos de crise nacional.
  • O pedido de retribuição 'sete vezes' (v.12) reflete um princípio comum de justiça proporcional na cultura do Antigo Oriente Próximo, e não um chamado à vingança pessoal desmedida.

Explicação versículo a versículo

  1. Psalms 79:1Descreve, sem exagero literário, a destruição real da cidade e do templo — provavelmente pelos babilônios em 586 a.C. — o pano de fundo histórico que explica o tom de luto e revolta do salmo inteiro.
  2. Psalms 79:2Deixar corpos insepultos, virando comida de aves e feras, era a pior desonra possível no mundo antigo: negar a um guerreiro morto até o direito básico ao enterro.
  3. Psalms 79:3Sangue "como água" é uma imagem de massacre em massa, vidas tratadas sem nenhum valor. Não haver quem enterrasse os mortos repete a desonra máxima já citada no verso anterior.
  4. Psalms 79:4Ser motivo de riso para os povos vizinhos era uma humilhação a mais, somada à derrota militar: a queda de Jerusalém virou piada entre nações que historicamente rivalizavam com Israel.
  5. Psalms 79:5"Até quando" é um grito de angústia repetido em vários salmos de lamento, não uma pergunta calculada sobre prazos — é a forma poética de dizer que o sofrimento já parece longo demais para suportar.
  6. Psalms 79:6O pedido não é para que Israel escape de toda ira divina, mas para que essa ira se volte contra as nações que atacaram o povo, poupando quem sofreu a invasão.
  7. Psalms 79:7"Jacó" funciona como nome poético para todo o povo de Israel, lembrando o patriarca de quem as doze tribos descendem — um recurso comum nos Salmos para falar da nação inteira.
  8. Psalms 79:8O pedido não é isenção de qualquer culpa, mas que Deus não puna com base em erros acumulados de gerações passadas: o povo já está tão abatido que pede socorro imediato.
  9. Psalms 79:9"Espia" aqui tem o sentido antigo de "expia", ou seja, apaga: o pedido não é por mérito próprio, mas que Deus aja por causa da própria reputação — livrar o povo protege também a honra do seu nome.
  10. Psalms 79:10Se Jerusalém for destruída sem resposta, as nações vizinhas vão zombar perguntando onde está o Deus de Israel: por trás do pedido de socorro está a preocupação com a reputação de Deus diante do mundo.
  11. Psalms 79:11"Braço" é uma imagem comum de força e poder de Deus. Os "presos" e "sentenciados à morte" são provavelmente os cativos levados pelos invasores, cuja esperança agora é uma intervenção divina.
  12. Psalms 79:12É uma imprecação com uma imagem de medida: o regaço, a dobra da roupa usada como bolso, era onde se carregava grãos ou objetos. "Pagar no regaço" significa devolver o mal recebido multiplicado, de forma completa e visível.
  13. Psalms 79:13O salmo termina como muitos lamentos hebraicos: apesar da dor descrita, fecha com um voto de louvor contínuo, usando a imagem do pastor e do rebanho para falar da relação entre Deus e o povo.

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