Salmos 78

ARC · Capítulo 78/150

1Escutae a minha lei, povo meu: inclinae os vossos ouvidos ás palavras da minha bocca.

2Abrirei a minha bocca n'uma parabola; fallarei enigmas da antiguidade.

3As quaes temos ouvido e sabido, e nossos paes nol-as teem contado.

4Não as encobriremos aos seus filhos, mostrando á geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez.

5Porque elle estabeleceu um testemunho em Jacob, e poz uma lei em Israel, a qual deu aos nossos paes para que a fizessem conhecer a seus filhos.

6Para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quaes se levantassem e a contassem a seus filhos.

7Para que pozessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos.

8E não fossem como seus paes, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espirito não foi fiel com Deus

9Os filhos de Ephraim, armados e trazendo arcos, viraram costas no dia da peleja.

10Não guardaram o concerto de Deus, e recusaram andar na sua lei.

11E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver.

12Maravilhas que elle fez á vista de seus paes na terra do Egypto, no campo de Zoan.

13Dividiu o mar, e os fez passar por elle; fez com que as aguas parassem como n'um montão.

14De dia os guiou por uma nuvem, e toda a noite por uma luz de fogo.

15Fendeu as penhas no deserto; e deu-lhes de beber como de grandes abysmos.

16Fez sair fontes da rocha, e fez correr as aguas como rios.

17E ainda proseguiram em peccar contra elle, provocando ao Altissimo na solidão.

18E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para o seu appetite.

19E fallaram contra Deus, e disseram: Acaso pode Deus preparar-nos uma mesa no deserto?

20Eis que feriu a penha, e aguas correram d'ella; rebentaram ribeiros em abundancia: poderá tambem dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo?

21Pelo que o Senhor os ouviu, e se indignou: e accendeu um fogo contra Jacob, e furor tambem subiu contra Israel;

22Porquanto não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação:

23Ainda que mandara ás altas nuvens, e abriu as portas dos céus,

24E chovera sobre elles o manná para comerem, e lhes dera do trigo do céu.

25O homem comeu o pão dos anjos; elle lhes mandou comida a fartar.

26Fez ventar o vento do oriente nos céus, e o trouxe do sul com a sua força.

27E choveu sobre elles carne como pó, e aves d'azas como a areia do mar.

28E as fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações.

29Então comeram e se fartaram bem; pois lhes cumpriu o seu desejo.

30Não refreiaram o seu appetite. Ainda lhes estava a comida na bocca,

31Quando a ira de Deus desceu sobre elles, e matou os mais gordos d'elles, e feriu os escolhidos d'Israel.

32Com tudo isto ainda peccaram, e não deram credito ás suas maravilhas.

33Pelo que consumiu os seus dias na vaidade e os seus annos na angustia.

34Quando os matava, então o procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus.

35E se lembravam de que Deus era a sua rocha, e o Deus Altissimo o seu Redemptor.

36Todavia lisongeavam-n'o com a bocca, e com a lingua lhe mentiam.

37Porque o seu coração não era recto para com elle, nem foram fieis no seu concerto.

38Porém elle, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade: e não os destruiu, antes muitas vezes desviou d'elles o seu furor, e não despertou toda a sua ira

39Porque se lembrou de que eram de carne, vento que vae e não torna.

40Quantas vezes o provocaram no deserto, e o molestaram na solidão!

41Voltaram atraz, e tentaram a Deus; e limitaram o Sancto d'Israel.

42Não se lembraram da sua mão, nem do dia em que os livrou do adversario:

43Como obrou os seus signaes no Egypto, e as suas maravilhas no campo de Zoan;

44E converteu os seus rios em sangue, e as suas correntes, para que não podessem beber.

45Enviou entre elles enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruiram.

46Deu tambem ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho aos gafanhotos.

47Destruiu as suas vinhas com saraiva, e os seus sycomoros com pedrisco.

48Tambem entregou o seu gado á saraiva, e os seus rebanhos ás brazas ardentes.

49Lançou sobre elles o ardor da sua ira, furor, indignação, e angustia, mandando maus anjos contra elles.

50Preparou caminho á sua ira; não retirou as suas almas da morte, mas entregou á pestilencia as suas vidas.

51E feriu a todo o primogenito no Egypto, primicias da sua força nas tendas de Cão.

52Mas fez com que o seu povo saisse como ovelhas, e os guiou pelo deserto como um rebanho.

53E os guiou com segurança, que não temeram; mas o mar cobriu os seus inimigos.

54E o trouxe até ao termo do seu sanctuario, até este monte que a sua dextra adquiriu.

55E expulsou as nações de diante d'elles, e as partiu em herança por linha, e fez habitar em suas tendas as tribus d'Israel.

56Comtudo tentaram e provocaram o Deus altissimo, e não guardaram os seus testemunhos.

57Mas retiraram-se para traz, e portaram-se infielmente como seus paes: viraram-se como um arco enganoso.

58Pois o provocaram á ira com os seus altos, e moveram o seu zelo com as suas imagens de esculptura.

59Deus ouviu isto e se indignou; e aborreceu a Israel em grande maneira.

60Pelo que desamparou o tabernaculo em Silo, a tenda que estabeleceu entre os homens.

61E deu a sua força ao captiveiro; e a sua gloria á mão do inimigo.

62E entregou o seu povo á espada; e se enfureceu contra a sua herança.

63O fogo consumiu os seus mancebos, e as suas donzellas não foram dadas em casamento.

64Os seus sacerdotes cairam á espada, e as suas viuvas não fizeram lamentação.

65Então o Senhor despertou, como quem acaba de dormir, como um valente que se alegra com o vinho.

66E feriu os seus adversarios por detraz, e pôl-os em perpetuo desprezo.

67Além d'isto, recusou o tabernaculo de José, e não elegeu a tribu d'Ephraim.

68Antes elegeu a tribu de Judah; o monte de Sião, que elle amava.

69E edificou o seu sanctuario como altos palacios, como a terra que fundou para sempre.

70Tambem elegeu a David seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas:

71E o tirou do cuidado das que se achavam prenhes; para apascentar a Jacob, seu povo, e a Israel, sua herança.

72Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela industria de suas mãos.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

Um longo salmo-histórico que relembra a saga de Israel desde o Egito até Davi, mostrando o padrão repetido: Deus age com poder, o povo esquece e se rebela, e mesmo assim a misericordia divina continua.

Explicação

Este salmo funciona como um resumo poético de boa parte do Pentateuco (pragas do Egito, maná, água da rocha, conquista de Canaã) escrito para ensinar a próxima geração através do canto, prática comum na educação oral de Israel. O ponto central não é apenas contar história, mas alertar: esquecer os atos de Deus leva à repetição dos mesmos erros. O salmo termina elegendo Davi e a tribo de Judá, e não Efraim, explicando teologicamente por que a monarquia e o culto central ficaram em Jerusalém (tribo de Judá) e não no norte. A aplicação de hoje é transmitir às novas gerações não só regras, mas a memória viva das coisas boas que Deus fez.

Curiosidades

  • O verso 60 menciona o abandono do 'tabernáculo em Siló' — Siló foi o local do santuário israelita antes do templo de Jerusalém, destruído por volta de 1050 a.C., achado confirmado por escavações arqueológicas no local hoje chamado Khirbet Seilun.
  • A escolha de Davi 'dos apriscos das ovelhas' (v.70-71) ecoa diretamente a história de 1 Samuel 16, quando o jovem pastor é ungido rei.

Explicação versículo a versículo

  1. Salmos 78:1O salmo abre como um mestre reunindo a plateia antes de contar uma longa história. "Minha lei" aqui significa ensino, instrução — o relato que vem a seguir sobre o passado do povo, não uma norma jurídica isolada.
  2. Salmos 78:2"Parábola" e "enigmas" são citados no Evangelho de Mateus (13:35) sobre o método de ensino de Jesus. Aqui, essas palavras significam contar a história do povo por meio de exemplos e lições, não literalmente adivinhações ou charadas.
  3. Salmos 78:3"Temos ouvido e sabido" mostra que o salmista não está inventando a história que vai contar: é uma tradição oral repassada de pai para filho havia gerações, forma comum de preservar a memória de um povo sem muitos registros escritos.
  4. Salmos 78:4Anuncia o propósito do salmo inteiro: recontar às próximas gerações as coisas grandes que Deus fez, para que a memória do passado não se perca com o tempo — um dever de transmissão que se repete nos versos seguintes.
  5. Salmos 78:5"Testemunho" e "lei" aqui se referem aos mandamentos dados a Israel no Sinai. O verso descreve como esses ensinamentos deveriam passar adiante: pais ensinando filhos, formando uma corrente de memória entre gerações.
  6. Salmos 78:6Repete a ideia do verso anterior com outras palavras, recurso comum na poesia hebraica: a mesma corrente de transmissão — pais contando aos filhos, que contam aos seus — garantindo que gerações futuras conheçam a história.
  7. Salmos 78:7Explica o objetivo final de toda essa transmissão: não é só preservar uma história por preservar, mas fazer o povo confiar em Deus, lembrar do que ele fez e continuar obedecendo aos mandamentos — memória a serviço da fé.
  8. Salmos 78:8Contrasta a geração que deveria aprender com a dos antepassados, chamada aqui de "contumaz e rebelde", teimosa e desobediente. É a virada do salmo: da lição sobre transmitir memória para o relato das vezes em que o povo falhou.
  9. Salmos 78:9Faz referência a algum episódio militar específico de covardia ou derrota da tribo de Efraim, mas o texto não diz qual batalha foi — os estudiosos não têm certeza de qual evento histórico exato o salmo tem em mente.
  10. Salmos 78:10"Concerto" é uma palavra antiga para aliança, o pacto que Israel fez com Deus no Sinai. Este verso resume em frase curta a acusação central do salmo: o povo não cumpriu esse pacto nem seguiu a lei recebida.
  11. Salmos 78:11Repete a ideia de esquecimento de forma mais direta: não foi falta de provas, mas esquecimento voluntário das maravilhas que o próprio povo tinha visto acontecer com os próprios olhos.
  12. Salmos 78:12"Campo de Zoã" era uma região no delta do Nilo, uma das cidades importantes do Egito antigo. Citar esse lugar específico ancora o relato num ponto real do mapa, mostrando que as maravilhas tiveram testemunhas, não são lenda vaga.
  13. Salmos 78:13Recorda a travessia do Mar Vermelho (Êxodo 14): as águas empilhadas "como num montão" descrevem o momento em que o mar se abriu e o povo atravessou em segurança, fugindo do exército egípcio.
  14. Salmos 78:14Lembra as colunas de nuvem e de fogo que guiavam Israel no deserto (Êxodo 13:21-22): nuvem de dia, para sombra e orientação sob o sol forte, e fogo à noite, luz e sinal de que Deus continuava presente mesmo no escuro.
  15. Salmos 78:15Recorda o episódio em que Deus faz água jorrar de uma rocha no deserto (Êxodo 17 e Números 20), quando o povo tinha sede. "Grandes abismos" exagera a quantidade, como se fosse um oceano subterrâneo aberto para eles.
  16. Salmos 78:16Continua a imagem do verso anterior: a água da rocha não foi um filete, e sim fontes que viraram rios correntes — forma poética de dizer que a provisão de Deus foi generosa, muito além do mínimo necessário.
  17. Salmos 78:17Marca a virada da história: apesar de toda a água e proteção recebidas, o povo continuou pecando no deserto — a mesma "solidão" (região desértica) onde acabavam de presenciar milagres.
  18. Salmos 78:18Refere-se ao episódio em que o povo, cansado do maná, passou a exigir carne no deserto (Números 11). "Tentar a Deus" significa duvidar dele e testar seus limites, em vez de simplesmente confiar e pedir.
  19. Salmos 78:19A pergunta irônica "pode Deus preparar-nos uma mesa no deserto?" mostra o tamanho da descrença do povo: mesmo depois de ver o mar se abrir e a água brotar da rocha, ainda duvidavam que Deus pudesse alimentá-los.
  20. Salmos 78:20O povo usa o próprio milagre da água da rocha como argumento contra Deus, perguntando ironicamente se ele também conseguiria dar pão e carne — descrença que ignora o que acabaram de testemunhar.
  21. Salmos 78:21Descreve a reação de Deus à descrença do povo: raiva descrita como um "fogo" que se acende contra Jacó (outro nome para Israel) — provavelmente referência ao episódio de Taberá, em Números 11:1-3.
  22. Salmos 78:22Explica a raiz da ira de Deus mencionada no verso anterior: não foi capricho, mas falta de fé — o povo simplesmente não confiava que Deus pudesse ou quisesse salvá-los, apesar de tudo que já tinha feito por eles.
  23. Salmos 78:23Muda o tom para mostrar a resposta generosa de Deus apesar da descrença: ele "abriu as portas dos céus", imagem do céu como um grande celeiro se abrindo para derramar comida sobre o povo.
  24. Salmos 78:24Descreve o maná, o alimento fino que aparecia no chão pela manhã no deserto (Êxodo 16). "Trigo do céu" é uma forma poética de dizer que esse pão não veio da terra, mas foi um presente vindo diretamente de Deus.
  25. Salmos 78:25"Pão dos anjos" é uma forma poética de descrever o maná, o alimento que caiu do céu no deserto (Êxodo 16). Não quer dizer que os anjos comem pão, e sim que esse alimento vinha diretamente do céu, do mesmo lugar de onde vêm os anjos.
  26. Salmos 78:26Descreve o vento que trouxe as codornizes no episódio de Números 11: um vento do leste e depois do sul, mostrando que até as condições climáticas estavam sob controle de Deus para atender o pedido de carne do povo.
  27. Salmos 78:27Continua a cena das codornizes: tantas aves caíram que a comparação usada é "como pó" e "como areia do mar" — exagero poético para descrever uma quantidade impressionante de comida chovendo do céu.
  28. Salmos 78:28Detalha onde as codornizes caíram: bem no meio do acampamento, ao redor das tendas — ninguém precisou caçar longe, a carne pedida chegou praticamente às portas de cada família.
  29. Salmos 78:29Marca o momento em que o desejo do povo foi atendido: comeram até se fartar. O verso soa neutro, quase positivo, mas prepara o contraste chocante do que vem a seguir.
  30. Salmos 78:30"Ainda lhes estava a comida na boca" é uma imagem bem literal e chocante: o julgamento do próximo verso acontece no meio da própria refeição, sem tempo nem para terminar de comer.
  31. Salmos 78:31Refere-se ao episódio de Quibrote-Hataavá, "os túmulos da cobiça" (Números 11:33-34): logo depois de receberem a carne pedida, uma praga atinge o povo enquanto ainda comiam, consequência da ganância excessiva.
  32. Salmos 78:32Resume a repetição do padrão do salmo: mesmo depois de um castigo tão direto, o povo continuou pecando e não confiou nos milagres já vistos — descrença que se repete apesar da evidência.
  33. Salmos 78:33Descreve, sem entrar em detalhes específicos, os quarenta anos de peregrinação no deserto como consequência dessa descrença repetida — anos chamados de "vaidade" (vazios, sem sentido) e "angústia".
  34. Salmos 78:34Descreve um padrão psicológico bem humano: só em momentos de crise ou punição direta ("quando os matava") o povo se lembrava de buscar a Deus — arrependimento que dura pouco, motivado pelo medo imediato.
  35. Salmos 78:35Nos momentos de aflição mencionados no verso anterior, o povo se lembrava que Deus era sua "rocha" — imagem de solidez e proteção — e seu "Redentor", aquele que os havia resgatado da escravidão no Egito.
  36. Salmos 78:36Revela que esse arrependimento de crise era superficial: eles diziam as palavras certas ("lisonjeavam") mas mentiam, sem mudança real de coração — contraste entre o que se fala e o que realmente se sente.
  37. Salmos 78:37Explica por que a lisonja do verso anterior era mentira: o coração deles não estava "reto", alinhado com Deus, e não honravam de verdade o pacto ("concerto") firmado no Sinai.
  38. Salmos 78:38Depois de listar as falhas repetidas do povo, o salmo vira para o caráter de Deus: mesmo diante de tanta infidelidade, ele perdoava em vez de destruir, controlando a própria ira — contraste com o comportamento humano descrito antes.
  39. Salmos 78:39Explica por que Deus continha sua ira: lembrava que o povo era apenas "carne", frágil e mortal, comparado a um vento que passa e não volta — imagem da vida humana como algo passageiro diante da eternidade divina.
  40. Salmos 78:40Uma exclamação que resume, num tom quase cansado, os episódios de rebelião já narrados: repetidas provocações contra Deus na mesma região desértica onde ele os alimentava e protegia.
  41. Salmos 78:41"Limitaram o Santo de Israel" é uma forma incomum de dizer que o povo, no coração, colocava um limite no que achava que Deus conseguia ou queria fazer — desconfiando do seu poder mesmo depois de tantos milagres.
  42. Salmos 78:42Serve de ponte no poema: a partir daqui o salmo volta no tempo para detalhar, verso a verso, as pragas do Egito que o povo esqueceu — o "dia em que os livrou do adversário" é a libertação da escravidão egípcia.
  43. Salmos 78:43Repete quase as mesmas palavras do verso 12, formando um elo entre as duas partes do salmo: agora ele vai detalhar, uma a uma, as pragas que aconteceram no Egito, na mesma região do campo de Zoã.
  44. Salmos 78:44Descreve a primeira das pragas do Egito (Êxodo 7:14-24): as águas do Nilo, fonte de vida do país, viradas em sangue, tornando impossível beber da própria água que sustentava a nação egípcia.
  45. Salmos 78:45Recorda duas pragas do Egito ao mesmo tempo: enxames de moscas e a invasão de rãs (Êxodo 8) — pragas que tomaram conta do cotidiano egípcio, incomodando desde a comida até os quartos das casas.
  46. Salmos 78:46Refere-se à praga de gafanhotos (Êxodo 10): "pulgão" é uma tradução antiga para um tipo de inseto devorador de plantações, que junto com os gafanhotos destruiu a produção agrícola do Egito.
  47. Salmos 78:47Descreve a praga de granizo (Êxodo 9), que destruiu as videiras egípcias, e menciona os sicômoros, árvores comuns no Egito antigo usadas por madeira e frutos — a agricultura do país arrasada pelo gelo caindo do céu.
  48. Salmos 78:48Continua descrevendo a praga de granizo, agora atingindo os animais: gado e rebanhos mortos pelas pedras de gelo e por raios ("brasas ardentes"), completando o quadro de destruição sobre a economia egípcia.
  49. Salmos 78:49Descreve as pragas do Egito como agentes enviados por Deus para punir. "Maus anjos" aqui significa mensageiros de desgraça a serviço de Deus, não espíritos malignos agindo por conta própria.
  50. Salmos 78:50Descreve, de forma genérica, o avanço da ira de Deus contra o Egito através de uma praga de pestilência (provavelmente a peste no gado, Êxodo 9:1-7) — a vida dos egípcios entregue à doença como parte do julgamento.
  51. Salmos 78:51Recorda a praga final e mais grave do Egito: a morte dos primogênitos (Êxodo 12). "Tendas de Cão" refere-se a Cam, filho de Noé e ancestral bíblico dos egípcios (Gênesis 10), forma poética de dizer "no Egito".
  52. Salmos 78:52Depois de listar as pragas, o salmo volta a Israel: usa a imagem do pastor e do rebanho, comum em toda a Bíblia hebraica, para descrever como Deus conduziu o povo para fora do Egito com cuidado, como quem guia ovelhas.
  53. Salmos 78:53Continua a cena da saída do Egito: o povo atravessou em segurança sem medo, enquanto o mar que tinham acabado de cruzar se fechou sobre o exército egípcio que os perseguia — o desfecho da travessia do Mar Vermelho.
  54. Salmos 78:54Descreve a chegada de Israel à terra prometida como o fim de uma longa jornada guiada por Deus. "Este monte" provavelmente se refere à região de Jerusalém e ao monte Sião, tratados como o destino final e sagrado.
  55. Salmos 78:55Resume a conquista de Canaã: as nações que já viviam ali foram expulsas, e a terra foi dividida entre as tribos de Israel por sorteio ("por linha", método antigo de medir terrenos), cada família recebendo seu pedaço.
  56. Salmos 78:56Depois de contar a conquista da terra, o salmo mostra que o padrão de rebelião não parou: já instalado em Canaã, o povo voltou a testar Deus e a ignorar os mandamentos, repetindo o ciclo dos tempos do deserto.
  57. Salmos 78:57"Arco enganoso" descreve um arco defeituoso, que erra o alvo mesmo bem manejado — imagem da inconstância do povo, que parecia confiável mas falhava na hora de cumprir o que devia.
  58. Salmos 78:58"Altos" eram santuários em lugares elevados, usados para cultos a outros deuses; as "imagens de escultura" são ídolos esculpidos. O verso descreve a idolatria praticada por Israel já na terra prometida, copiando costumes vizinhos.
  59. Salmos 78:59Marca a reação de Deus à idolatria descrita no verso anterior: uma indignação forte, descrita como aversão a Israel — preparando o desfecho trágico contado a seguir, incluindo o abandono do santuário em Siló.
  60. Salmos 78:60Reconta o episódio em que a Arca da Aliança foi capturada pelos filisteus (1 Samuel 4). "A sua força", mencionada logo depois, é uma forma de se referir à própria Arca, entendida como símbolo da presença e do poder de Deus entre o povo.
  61. Salmos 78:61Refere-se à captura da Arca da Aliança pelos filisteus (1 Samuel 4): "sua força" e "sua glória" são formas poéticas de se referir à própria Arca, entregue nas mãos do inimigo como punição pela infidelidade do povo.
  62. Salmos 78:62Descreve a derrota militar de Israel diante dos filisteus na batalha de Afeque (1 Samuel 4), quando a Arca foi capturada — tragédia tratada aqui como consequência direta da raiva de Deus contra seu próprio povo.
  63. Salmos 78:63Descreve os efeitos devastadores da derrota: tantos jovens homens morreram na guerra que não sobraram pretendentes suficientes para as moças se casarem — imagem de uma geração inteira dizimada pelo conflito.
  64. Salmos 78:64Lembra a morte dos sacerdotes Hofni e Fineias na mesma batalha (1 Samuel 4:11). Dizer que as viúvas "não fizeram lamentação" sugere que a tragédia foi grande demais, ou rápida demais, para os rituais costumeiros de luto.
  65. Salmos 78:65Depois de descrever Deus como ausente durante a derrota, o salmo muda de tom: ele "desperta" como alguém saindo do sono, ou como um guerreiro animado pelo vinho — imagem vigorosa do momento em que Deus finalmente age.
  66. Salmos 78:66Descreve a virada militar a favor de Israel, com os inimigos atingidos "por detrás" — provável referência à derrota humilhante dos filisteus depois de capturarem a Arca (1 Samuel 5), quando sofreram pragas e a devolveram.
  67. Salmos 78:67Marca uma mudança geográfica e política importante: Deus deixa de lado o santuário de Siló, ligado à tribo de Efraim (descendente de José), preparando a transição para um novo centro religioso em outro lugar.
  68. Salmos 78:68Em contraste com a rejeição de Efraim no verso anterior, Deus escolhe a tribo de Judá e o monte Sião como seu lugar preferido — início da associação entre Jerusalém, a linhagem de Davi e a presença de Deus.
  69. Salmos 78:69Descreve a construção do santuário em Jerusalém (o templo de Salomão) comparando sua solidez à da própria terra, algo firme e permanente — forma poética de expressar confiança na durabilidade dessa nova morada de Deus.
  70. Salmos 78:70Recorda a origem humilde de Davi: ele foi escolhido enquanto ainda trabalhava como pastor de ovelhas, tirado do meio do rebanho para se tornar rei — lembrete de que a escolha de Deus não seguiu a lógica de nascimento nobre.
  71. Salmos 78:71Continua descrevendo a vida pastoril de Davi antes de ser rei, mencionando o cuidado com ovelhas prenhes ou com filhotes — detalhe que reforça a imagem de pastor atento, usada em seguida para descrever seu cuidado com o povo.
  72. Salmos 78:72Encerra o salmo resumindo o governo de Davi com a mesma imagem pastoril: liderança com integridade de coração e habilidade prática ("indústria de suas mãos") — contraste final com toda a infidelidade do povo narrada no salmo.

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