1Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aquelles que n'elle habitam.
2Porque elle a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios.
3Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu logar sancto?
4Aquelle que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma á vaidade, nem jura enganosamente,
5Este receberá a benção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação.
6Esta é a geração d'aquelles que buscam, d'aquelles que buscam a tua face, ó Deus de Jacob (Selah).
7Levantae, ó portas, as vossas cabeças; levantae-vos ó entradas eternas, e entrará o Rei da Gloria.
8Quem é este Rei da Gloria? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.
9Levantae, ó portas, as vossas cabeças, levantae-vos ó entradas eternas, e entrará o Rei da Gloria.
10Quem é este Rei da Gloria? O Senhor dos Exercitos, elle é o Rei da Gloria (Selah).
📖 Estudo do capítulo
Resumo
O salmo celebra que a terra pertence ao Senhor, pergunta quem pode subir ao seu monte santo (respondendo: quem tem mãos limpas e coração puro) e termina com um chamado triunfal para que as portas se abram para o 'Rei da Glória'.
Explicação
Este salmo provavelmente foi usado em uma procissão litúrgica de subida ao templo em Jerusalém, talvez celebrando a chegada da arca da aliança à cidade (2 Samuel 6). A estrutura em forma de diálogo — uma voz pergunta 'quem é este Rei da Glória?' e outra responde — sugere um uso cerimonial real, com vozes alternadas entre sacerdotes e povo. A pergunta central ('quem pode subir ao monte do Senhor?') liga adoração a integridade ética, retomando o mesmo tema do Salmo 15. A aplicação hoje: a presença de Deus não é acessada por status ou ritual vazio, mas por um coração honesto diante d'Ele.
Curiosidades
- A repetição da pergunta e resposta ('Levantai, ó portas... Quem é este Rei da Glória?') sugere que o salmo era cantado por dois grupos alternados, um dentro e outro fora dos portões do templo — uma espécie de 'liturgia antifonal' bem documentada em outros textos do Oriente Próximo antigo.
- O título 'Senhor dos Exércitos' (Jeová Sabaoth, v.10) é um dos nomes mais usados para Deus no Antigo Testamento, referindo-se ao seu comando sobre os exércitos celestiais — anjos — e não apenas exércitos humanos.