Salmos 90

ARC · Capítulo 90/150

1Senhor, tu tens sido o nosso refugio, de geração em geração.

2Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade em eternidade, tu és Deus.

3Tu reduzes o homem á destruição; e dizes: Tornae-vos, filhos dos homens.

4Porque mil annos são aos teus olhos como o dia de hontem quando passou, e como a vigilia da noite.

5Tu os levas como com uma corrente d'agua: são como um somno: de manhã são como a herva que cresce.

6De madrugada floresce e se muda: á tarde se corta e se secca.

7Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados.

8Diante de ti pozeste as nossas iniquidades: os nossos peccados occultos á luz do teu rosto.

9Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos annos como um conto que se conta.

10Os dias da nossa vida chegam a setenta annos, e se alguns pela sua robustez chegam a oitenta annos, o orgulho d'elles é canceira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando.

11Quem conhece o poder da tua ira? segundo és tremendo, assim é o teu furor.

12Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sabios.

13Volta-te para nós, Senhor: até quando? e aplaca-te para com os teus servos.

14Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.

15Alegra-nos pelos dias em que nos affligiste, e pelos annos em que vimos o mal.

16Appareça a tua obra aos teus servos, e a tua gloria sobre seus filhos.

17E seja sobre nós a formosura do Senhor, nosso Deus: e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

O único salmo atribuído a Moisés: uma meditação solene sobre a brevidade da vida humana diante da eternidade de Deus, terminando com o pedido para que Deus 'ensine a contar os nossos dias' e confirme a obra das mãos do povo.

Explicação

Sendo o mais antigo salmo do saltério pela tradição (atribuído a Moisés, portanto anterior a Davi), este texto contrasta poderosamente a eternidade de Deus ('de eternidade em eternidade tu és Deus') com a fragilidade humana, cujos dias 'chegam a setenta anos... e voamos'. Longe de ser apenas melancólico, o salmo transforma essa consciência da finitude em sabedoria prática: 'ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos corações sábios'. A aplicação hoje é usar a lembrança de que a vida é curta como motivação para viver com propósito, não com desespero.

Capítulos