1Junto dos rios de Babylonia, ali nos assentámos e chorámos, quando nos lembrámos de Sião:
2Sobre os salgueiros que ha no meio d'ella, pendurámos as nossas harpas.
3Pois lá aquelles que nos levaram captivos, nos pediam uma canção; e os que nos destruiram, que os alegrassemos, dizendo; Cantae-nos uma das canções de Sião
4Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha?
5Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalem, esqueça-se a minha direita da sua destreza.
6Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a lingua ao meu paladar; se não prefiro Jerusalem á minha maior alegria.
7Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom no dia de Jerusalem, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces.
8Ah! filha de Babylonia, que vaes ser assolada; feliz aquelle que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós.
9Feliz aquelle que pegar em teus filhos e der com elles pelas pedras.
📖 Estudo do capítulo
Resumo
Um lamento pungente escrito à beira dos rios da Babilônia, onde os exilados choravam lembrando de Sião e se recusavam a cantar suas canções sagradas para os captores zombeteiros, terminando com palavras de dor e desejo de retribuição contra os opressores.
Explicação
Este é um dos salmos mais emocionalmente intensos e historicamente específicos do saltério, escrito claramente durante ou logo após o exílio babilônico (586-538 a.C.), quando os judeus foram levados cativos e forçados, de forma cruel, a entreter seus captores com canções do templo. Os versos finais (8-9), extremamente duros, refletem a prática comum (e chocante para leitores modernos) de linguagem de guerra antiga, sendo entendidos por estudiosos como uma expressão bruta de dor extrema entregue a Deus, e não uma instrução moral literal a ser praticada. A aplicação hoje, com honestidade, é reconhecer que a Bíblia registra até os sentimentos mais difíceis e desconfortáveis da experiência humana diante do sofrimento, sem necessariamente aprová-los como modelo de ação.