Salmos 16

ARC · Capítulo 16/150

1Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio.

2A minha alma disse ao Senhor: Tu és o meu Senhor, a minha bondade não chega á tua presença,

3Mas aos sanctos que estão na terra, e aos illustres em quem está todo o meu prazer.

4As dôres se multiplicarão áquelles que fazem offerendas a outro deus; eu não offerecerei as suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes nos meus labios.

5O Senhor é a porção da minha herança e do meu calix: tu sustentas a minha sorte.

6As linhas caem-me em logares deliciosos: sim, coube-me uma formosa herança.

7Louvarei ao Senhor que me aconselhou: até os meus rins me ensinam de noite.

8Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim: por isso que elle está á minha mão direita, nunca vacillarei.

9Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha gloria: tambem a minha carne repousará segura.

10Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permittirás que o teu Sancto veja corrupção.

11Far-me-has ver a vereda da vida; na tua presença ha fartura de alegrias; á tua mão direita ha delicias perpetuamente.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

Davi expressa plena confiança no Senhor como sua herança e porção, declarando que Deus não o abandonará à sepultura e que em sua presença há alegria e prazer eternos.

Explicação

Este salmo é chamado de 'Mictão' no título original, um termo de sentido incerto, possivelmente ligado a inscrição ou poema precioso. O ponto alto do texto é a afirmação de que Deus 'não deixará a minha alma no inferno, nem permitirá que o teu Santo veja corrupção' — palavras que o livro de Atos (2:25-31) aplica à ressurreição de Jesus, mostrando como os primeiros cristãos enxergaram nos salmos davídicos ecos proféticos maiores. Para o leitor de hoje, o salmo é um convite a encontrar identidade e segurança não em posses ou território, mas na relação com Deus como 'porção' da própria vida.

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