Salmos 135

ARC · Capítulo 135/150

1Louvae ao Senhor. Louvae o nome do Senhor; louvae-o, servos do Senhor.

2Vós que assistis na casa do Senhor, nos atrios da casa do nosso Deus.

3Louvae ao Senhor, porque o Senhor é bom: cantae louvores ao seu nome, porque é agradavel.

4Porque o Senhor escolheu para si a Jacob, e a Israel para seu proprio thesouro.

5Porque eu conheço que o Senhor é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses.

6Tudo o que o Senhor quiz fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abysmos.

7Faz subir os vapores das extremidades da terra; faz os relampagos para a chuva; produz os ventos dos seus thesouros.

8O que feriu os primogenitos do Egypto, desde os homens até ás bestas.

9O que enviou signaes e prodigios no meio de ti, ó Egypto, contra Pharaó e contra os seus servos.

10O que feriu muitas nações, e matou poderosos reis;

11A Sehon, rei dos amorrheos, e a Og, rei de Basan, e a todos os reinos de Canaan.

12E deu a sua terra em herança, em herança a Israel, seu povo.

13O teu nome, ó Senhor, dura perpetuamente; e a tua memoria, ó Senhor, de geração em geração.

14Pois o Senhor julgará o seu povo, e se arrependerá com respeito aos seus servos.

15Os idolos das nações são prata e oiro, obra das mãos dos homens.

16Teem bocca, mas não fallam; teem olhos, e não vêem.

17Teem ouvidos, mas não ouvem, nem ha respiro algum nas suas boccas.

18Similhantes a elles se tornem os que os fazem, e todos os que confiam n'elles.

19Casa d'Israel, bemdizei ao Senhor; casa d'Aarão bemdizei ao Senhor.

20Casa de Levi, bemdizei ao Senhor: vós, os que temeis ao Senhor, louvae ao Senhor.

21Bemdito seja o Senhor desde Sião, que habita em Jerusalem. Louvae ao Senhor.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

Um hino de louvor que celebra a grandeza de Deus acima de todos os deuses, relembrando as pragas do Egito, a derrota de reis cananeus e repetindo a crítica de que os ídolos das nações têm boca, olhos e ouvidos que não funcionam.

Explicação

Este salmo funciona como uma coletânea de temas já vistos em outros salmos (as pragas do Egito do Salmo 78 e 105, a crítica aos ídolos do Salmo 115), reunidos aqui como um grande hino de conclusão e celebração da soberania de Deus sobre a natureza, a história e as falsas divindades das nações vizinhas. A menção específica aos reis Seom e Ogue (v.11), derrotados durante a jornada de Israel para Canaã (Números 21), reforça a lembrança histórica concreta da fidelidade de Deus. A aplicação hoje é que revisar e recontar, de tempos em tempos, os grandes atos de Deus na história (pessoal ou bíblica) fortalece a fé de forma prática.

Curiosidades

  • A crítica aos ídolos (v.15-18) repete quase palavra por palavra o texto do Salmo 115:4-8, mostrando como certos argumentos teológicos eram repetidos deliberadamente como refrães de ensino.
  • Seom e Ogue (v.11) eram dois reis amorreus derrotados por Israel a caminho de Canaã, narrados em detalhe em Números 21:21-35, e frequentemente citados juntos em salmos históricos como exemplo de vitória divina.

Explicação versículo a versículo

  1. Salmos 135:1O chamado triplo para louvar é dirigido especificamente aos 'servos do Senhor', provavelmente o pessoal do templo que trabalhava ali em serviço contínuo.
  2. Salmos 135:2O verso localiza fisicamente quem está sendo chamado: gente de pé nos átrios do templo, em serviço, não uma audiência qualquer espalhada por aí.
  3. Salmos 135:3O motivo do louvor aparece em dobro: Deus é bom, e louvar seu nome é descrito como algo 'agradável' - a própria ação de louvar sendo tratada como prazerosa, não como obrigação pesada.
  4. Salmos 135:4Chamar Israel de 'tesouro' próprio de Deus é uma imagem de posse pessoal e afeto, como algo guardado com carinho especial. Não que os outros povos não importassem, mas é o nome usado aqui para esse vínculo específico.
  5. Salmos 135:5'Eu conheço' marca uma afirmação pessoal, não uma repetição de tradição alheia: o salmista declara por conta própria que o seu Deus está acima de todos os outros deuses.
  6. Salmos 135:6É uma afirmação total de liberdade divina: tudo o que Deus quis, ele fez, em qualquer domínio - céus, terra, mares e abismos - sem limite de território.
  7. Salmos 135:7Vapores, relâmpagos e ventos são descritos como se saíssem de 'tesouros' guardados por Deus, uma imagem que trata os fenômenos do tempo como recursos armazenados e liberados por decisão dele.
  8. Salmos 135:8Relembra a última praga do Egito, mas com um detalhe: o alcance dela incluía tanto pessoas quanto animais, um castigo que não poupou nem o gado.
  9. Salmos 135:9É incomum: o salmo se dirige diretamente ao Egito, como se falasse com o próprio país, lembrando os sinais enviados contra Faraó e seus servos.
  10. Salmos 135:10Depois do Egito, o salmo amplia o alcance: muitas outras nações e reis poderosos também foram derrotados ao longo da história contada.
  11. Salmos 135:11Seom e Ogue eram reis reais derrotados durante a travessia de Israel rumo à terra prometida, contada em Números 21. Citá-los pelo nome funciona como prova histórica concreta dentro da lista de feitos que o salmo celebra.
  12. Salmos 135:12Repetir 'herança' duas vezes na mesma frase reforça que a entrega da terra a Israel não foi acidental: foi uma doação formal e deliberada.
  13. Salmos 135:13Depois de contar a história, o salmo volta ao louvor: o nome de Deus e sua memória são descritos como algo que atravessa gerações sem se apagar.
  14. Salmos 135:14O verso junta duas ações que parecem opostas: Deus julga o seu povo, mas também se compadece dos seus servos - correção e misericórdia lado a lado.
  15. Salmos 135:15É a mesma zombaria contra ídolos que aparece no Salmo 115. Estátuas com boca, olhos e ouvidos esculpidos que não funcionam de verdade são usadas para contrastar com um Deus que de fato age e responde.
  16. Salmos 135:16Começa aqui a mesma zombaria contra ídolos vista no Salmo 115: bocas que não falam, olhos que não veem, um corpo esculpido sem função real.
  17. Salmos 135:17A lista continua com ouvidos que não ouvem, e o detalhe final é ainda mais forte: nem respiração existe dentro dessas estátuas, por mais que pareçam vivas.
  18. Salmos 135:18O aviso é direto: quem confia em ídolos sem vida acaba ficando parecido com eles - tão incapaz de agir ou responder quanto a própria estátua que adora.
  19. Salmos 135:19Volta o formato de chamado por grupos, como em outros salmos: Israel e a casa de Arão são convocados, cada um por sua vez, a bendizer a Deus.
  20. Salmos 135:20A lista de grupos chamados inclui a casa de Levi, distinta da casa de Arão, além de todos os que temem ao Senhor - uma convocação que vai além dos sacerdotes.
  21. Salmos 135:21O salmo termina ancorando a bênção especificamente em Sião, onde Deus habita - toda a história cósmica e nacional contada antes volta a esse único lugar geográfico no fim.

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