A Moda Deste Mundo · Capítulo 10

A moda deste mundo passa

Quem já entrou num grande teatro depois que a peça terminou conhece a estranha melancolia daquele momento. Pouco antes, da plateia, tudo parecia inteiro: o palácio com suas colunas, a janela com seu jardim ao fundo, o horizonte que se estendia para muito além das paredes. A luz incidia sobre aquele mundo e ele tinha o peso da realidade. Acreditávamos no rei que entrava por aquela porta, sofríamos com a notícia que chegava daquela janela, sonhávamos com o horizonte pintado lá no fundo. Mas agora as cortinas se abriram por outro lado, os refletores baixaram, e alguém de macacão começa a recolher o cenário. E então se descobre o que sempre esteve ali sem que ninguém visse: a coluna é de madeira leve, o jardim é tela esticada num caixilho, o horizonte tem menos de dois metros de profundidade. Não havia palácio. Havia a aparência de um palácio. E a aparência, agora, está sendo desmontada peça por peça, carregada para um depósito, à espera de virar outra coisa amanhã. Foi exatamente esta a palavra que o apóstolo Paulo escolheu para descrever o mundo inteiro em que vivemos. Não uma palavra de catedral. Uma palavra de bastidor. Uma palavra de cenário que se recolhe quando a luz se acende de verdade.

Ele a escreveu quase de passagem, no meio de conselhos práticos a uma igreja agitada, como quem deixa cair, sem aviso, a frase que sustenta tudo o mais: "porque a aparência deste mundo passa" (1 Coríntios 7:31). No original, a palavra é schēma — figura, forma exterior, configuração, o jeito como uma coisa se apresenta aos olhos. É da mesma família daquela outra que abriu este livro lá no começo, syschēmatizō, o "conformar-se ao figurino" de Romanos 12:2. E a coincidência não é acidente; é a chave de toda a obra. O figurino do século, aquilo a que somos chamados a não nos amoldar, é feito da mesma matéria do cenário que passa. Conformar-se ao mundo é vestir-se com a roupa de um teatro que está sendo desarmado. Paulo diz aos coríntios que usem o mundo como quem dele não abusa, que comprem como quem não possui, que chorem como quem não chora, que se alegrem como quem não se alegra — e dá a razão num só fôlego: tudo isso que vocês veem, esse arranjo de coisas que parece definitivo, essa moda do tempo presente, está em movimento. Está passando. O verbo grego está no presente, e num presente que é também travessia: passa, neste exato instante, enquanto você lê. Não é que um dia, num futuro distante, o cenário cairá. É que ele já está sendo recolhido agora, diante de olhos que se acostumaram a não enxergar o movimento.

A natureza, aliás, nunca escondeu de nós essa verdade; foi o coração que aprendeu a não ouvi-la. A flor do campo abre numa manhã, deslumbra ao meio-dia e ao entardecer já pende, e o profeta a usou justamente como espelho da glória humana: "toda a carne é erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente" (Isaías 40:6-8). A onda que parece dominar o mar inteiro arrebenta na praia e desaparece sem deixar marca. A folha mais verde do verão é a mesma que o outono levará. Todo o mundo visível pronuncia, sem parar, a mesma palavra mansa: passo, passo, passo. E, no entanto, é precisamente diante desse mundo que se desfaz a olhos vistos que o século constrói a sua fé mais teimosa — a fé de que aquilo vai durar. Há algo quase comovente nessa cegueira: o homem cercado por todos os lados de coisas que passam, jurando que vai ficar. É como morar numa casa de areia à beira da maré e pendurar quadros nas paredes para sempre.

E aqui está o valor mais profundo que o século nos vende, o pressuposto que está debaixo de todos os outros que percorremos juntos: a permanência. A moda deste mundo nunca se anuncia como moda. Ela se apresenta como o chão firme, como a única realidade possível, como aquilo que sempre foi e sempre será. Os apetites que examinamos nestas páginas — a posse que se acumula, o status que se exibe, o prazer que se consome, o eu que se preserva a qualquer preço — todos eles partem da mesma promessa silenciosa: isto vai durar. Vale a pena construir aqui porque isto fica. O século convence o coração de que a vitrine é eterna, de que a corrida tem chegada, de que o trono é de pedra, de que o nome que se faz entre os homens será lembrado para sempre. Ele esconde os pregos da madeira e as costuras da tela. Ele apaga as luzes de serviço e mantém só os refletores. Ele nos faz juramentar, da plateia, que o palácio é real. E é por isso que a frase de Paulo é tão silenciosamente revolucionária. Ela não condena o teatro por ser bonito. Ela apenas nos lembra, com uma serenidade quase terrível, que aquilo é teatro — e que o teatro acaba.

Foi contra essa ilusão de permanência que o Senhor Jesus contou uma das suas histórias mais simples e mais graves. Dois homens construíram suas casas, disse Ele. Por fora, talvez fossem idênticas — o mesmo telhado, as mesmas paredes caiadas, a mesma porta voltada para a estrada. A diferença estava onde ninguém olhava, no que estava debaixo, no alicerce que ninguém vê depois que a obra termina. "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha." E o outro, "que ouve estas minhas palavras e não as cumpre", a esse Ele compara ao "homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia" (Mateus 7:24-26). Repare numa coisa que costuma passar despercebida: o tempo bom não revelou nada. Enquanto fez sol, as duas casas pareciam igualmente sólidas, igualmente bem-acabadas, igualmente dignas de inveja de quem passava pela estrada. Ninguém, olhando de fora num dia claro, saberia dizer qual estava sobre a rocha e qual estava sobre a areia. Só quando "desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos" é que se viu a verdade do alicerce. Uma permaneceu, "porque estava edificada sobre a rocha". A outra "caiu, e foi grande a sua queda" (Mateus 7:25-27). E o insensato, na história de Jesus, não é o homem de vida obviamente torpe. É simplesmente o homem que construiu sobre o que não dura.

E é aí que se desmonta, de uma vez, a moda inteira deste mundo. Construir sobre a areia não é, na parábola, edificar uma vida escandalosa. A areia também aguenta, por um tempo. A areia também sustenta paredes, também recebe os móveis, também abriga uma família por muitos dias de sol e de festa. O drama é mais sutil e por isso mais profundo: a areia é exatamente o material do schēma, a aparência que passa. Quem ergue a sua vida sobre os valores do século não está construindo sobre o nada — está construindo sobre algo que parece firme e está, neste mesmo instante, sendo recolhido como cenário. Está investindo a vida inteira no que já foi julgado e condenado a passar. Por isso o Senhor coroou estes ensinos com a sentença mais ousada que já se proferiu sobre a duração das coisas: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" (Mateus 24:35). Demore-se nessa frase, porque ela inverte tudo. As únicas duas coisas que qualquer ser humano, em qualquer época, sempre tomou como o cúmulo da solidez — o céu sobre a cabeça e a terra debaixo dos pés — entram, da boca de Jesus, na lista do que passa. E a palavra Dele, que o século despreza como frágil, datada e ultrapassada, é colocada do lado de fora dessa lista, no único lugar que não se move. Ouça bem o que está sendo dito, porque é o avesso exato da moda do mundo. Tudo aquilo que parece rocha é, no fundo, areia. E justamente aquilo que o mundo julga areia frágil — a palavra de um Mestre crucificado — é a Rocha.

Recolha agora comigo, leitor, os fios que viemos tecendo desde a primeira página, porque chegou a hora de amarrá-los todos num só nó. Vimos, no princípio, que há um deus deste século que cegou os entendimentos dos incrédulos (2 Coríntios 4:4) — e percebemos agora que a sua maior cegueira é justamente esta, fazer-nos olhar para o cenário e enxergar eternidade, jurar pelo palácio de tela. Vimos que existe um molde, um figurino que se veste sem nunca se ter escolhido, e ouvimos o convite a não nos conformarmos a ele, mas a nos transformarmos pela renovação do entendimento (Romanos 12:2). Vimos a corrente invisível, o curso deste mundo, o ar que se respira sem perceber, esse espírito que opera nos filhos da desobediência (Efésios 2:2), e aprendemos que só pode resistir a ela quem primeiro a enxerga como corrente. Mapeamos os três apetites do esquema — a concupiscência da carne, que é o prazer; a concupiscência dos olhos, que é a posse; e a soberba da vida, que é o status — e enfrentamos cada um deles diante de uma palavra do Reino, até ouvir do apóstolo o veredito que agora ressoa com força nova e definitiva: "o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 João 2:17). Vimos a cruz desmontar, uma a uma, a riqueza, o status, a autopreservação e a esperteza do século, ensinando-nos que se acha a vida perdendo-a, que se é grande servindo, que a loucura de Deus é mais sábia do que os homens. E vimos o discípulo aprendendo, por fim, a viver como estrangeiro e peregrino: dentro do século, com os pés na mesma terra de todos, mas sem pertencer ao século, sem ter ali a sua cidade definitiva. Tudo isso, percebemos agora, convergia para este capítulo. Todos esses fios eram, na verdade, um só fio, e o seu nome é este: a aparência deste mundo passa. A cegueira passa. O molde passa. A corrente passa. Os três apetites passam. E o estrangeiro só consegue ser estrangeiro porque sabe que a terra estrangeira não é eterna — porque tem outra pátria que não se recolhe quando as luzes se apagam.

É preciso dizer, com honestidade, que enxergar isto custa. Custa porque a moda do mundo não nos seduziu por acaso; ela toca em desejos reais, em medos reais, em feridas reais. Construir sobre a areia é cômodo, e mais do que cômodo, é o que todos à nossa volta estão fazendo. Há uma solidão em deixar de juramentar pelo palácio quando a plateia inteira ainda aplaude o cenário. Há um luto verdadeiro em soltar aquilo que aprendemos a chamar de eterno e descobrir que era de passagem. Quem começa a viver como peregrino sente, no início, mais a falta da casa do que a alegria da estrada. E o século sabe disso, e por isso aperta: ridiculariza a esperança como ingenuidade, chama de fraqueza a recusa de acumular, trata de tolo aquele que não corre atrás do que todos correm. Não vou prometer que será fácil ver o que viemos vendo. Ver o cenário sendo recolhido tira de nós um conforto que muita gente prefere não perder. Mas é aqui, exatamente neste ponto de custo, que mora a libertação — porque o que custa soltar é também o que mais nos prendia. A verdade que dói num primeiro instante é a mesma que, no instante seguinte, abre a porta. Quem nunca chorou a perda da casa de areia nunca soube o que é morar na rocha.

E como isto desce ao chão de uma vida comum, a sua e a minha, longe de toda metáfora? Desce de mil maneiras pequenas e concretas. É a pessoa que, diante da vitrine que promete completá-la, faz a pausa de um segundo e pergunta a si mesma se aquilo ainda existirá daqui a dez anos — e descobre que o desejo afrouxa quando se lembra de que tudo aquilo é cenário. É quem deixa de medir o próprio valor pelo número de olhos que o observam, porque entendeu que a plateia se levanta e vai embora, mas Aquele diante de quem vivemos não se levanta nunca. É a decisão de investir tempo, dinheiro e afeto naquilo que atravessa a morte — uma alma, uma palavra de verdade, um gesto de serviço escondido — em vez de despejá-los no que apodrece. É o pai que escolhe estar presente em vez de impressionar, o trabalhador que escolhe a integridade que ninguém vê em vez do aplauso que todos veem, a pessoa que perdoa porque sabe que a conta do orgulho não vai durar tanto quanto a paz que ela troca por ele. Renovar a mente não é um êxtase distante; é esta reeducação diária do olhar, esta pergunta humilde repetida diante de cada escolha: isto que me pede a vida vai passar, ou vai permanecer? E quando a resposta vem, ela quase sempre simplifica tudo.

Mas seria uma traição ao Evangelho, e ao próprio coração deste livro, terminá-lo no desmonte do cenário, como se a última palavra fosse a da cortina caindo sobre um palco vazio. Não é. A última palavra das Escrituras nunca é o que passa; é o que permanece. Porque o mesmo Senhor que disse que o céu e a terra passarão é o que abriu, no fim do livro inteiro, a visão de "um novo céu e uma nova terra", e a voz que do trono declarou: "eis que faço novas todas as coisas" (Apocalipse 21:1,5). O cenário antigo é recolhido não para que fiquemos no escuro de um teatro vazio e frio, mas porque o que estava apenas sendo encenado dá lugar, enfim, ao que é verdadeiro e para sempre. O Reino que Jesus pregou nunca foi mais um adereço de palco entre outros; é a Rocha que já estava ali antes de o primeiro cenário ser montado e que estará quando o último for carregado para o depósito. E sobre essa Rocha — não na fuga do mundo, não num exílio amargo longe dos homens, mas no meio deles, com os pés na mesma terra e o coração noutro alicerce — pode-se finalmente edificar uma casa que a chuva, os rios e os ventos não levam. É aqui que o medo se transfigura em esperança, e essa transfiguração é o último presente que estas páginas querem deixar com você. Saber que tudo passa não é a notícia que entristece o cristão; é a notícia que o liberta. Liberta para abrir as mãos e soltar aquilo que ia mesmo escorregar entre os dedos. Liberta para amar as pessoas e as coisas sem se agarrar a elas com a unha do desespero, para usar o mundo sem dele abusar, para chorar as perdas sem o desamparo de quem não tem esperança e para se alegrar com as bênçãos sem fazer delas um ídolo, porque o tesouro nunca esteve no que se recolhe, mas Naquele que permanece. O homem que sabe que a casa de areia vai cair não constrói com menos amor; constrói no lugar certo.

E a renovação do entendimento, esse fio dourado que pedimos lá na introdução e seguimos por todo o livro, é precisamente isto, agora visto à plena luz: deixar de chamar de eterno o que é cenário e começar a chamar de eterno o que de fato fica. Não é apenas trocar um comportamento por outro, nem vestir um figurino religioso por cima do figurino do mundo. É uma mudança no modo de ver, e por isso é uma metamorfose, uma transformação que vem de dentro e refaz a vida inteira a partir da raiz. É olhar a vitrine que nunca se esgota e enxergar, por trás do brilho, a madeira leve e os pregos. É ouvir a palavra que o século jura ultrapassada e reconhecer nela a única coisa que ainda estará de pé quando as colunas pintadas tiverem voltado ao pó. É caminhar pelo mundo como peregrino que ama a estrada sem confundi-la com a casa. Esta é a mente renovada: uma mente que reaprendeu o que pesa e o que não pesa, o que dura e o que se desmonta, e que por isso já não pode mais ser arrastada de qualquer jeito pela correnteza do tempo. Ela continua no rio. Mas sabe nadar, porque sabe para onde o rio vai e para onde ele não vai.

Chegamos, então, ao fim de uma longa caminhada, e quero deixá-lo de pé, não de joelhos pelo medo, mas de joelhos pela esperança. Não escrevi estas páginas para que você passasse a temer o mundo, mas para que parasse de pertencer a ele sem perceber. A moda deste mundo é poderosa, é antiga, é sedutora — mas tem uma fraqueza que nenhum dos seus encantos consegue esconder por muito tempo: ela passa. Está passando. Já começou a ser recolhida enquanto você leu este livro. E a você, que chegou até aqui, resta apenas a pergunta mais simples e mais decisiva de todas, a mesma que Jesus deixou suspensa no ar ao fim da sua parábola: sobre o que você está construindo a sua casa? Não vista o figurino do que está sendo despido diante dos seus olhos. Não levante as suas paredes na areia que parece firme só porque ainda faz sol. Construa, hoje, sobre a Rocha do que não passa — sobre a palavra Daquele que prometeu que as suas palavras não hão de passar. E não construa amanhã, quando a chuva já estiver descendo e os rios já estiverem correndo; construa enquanto ainda faz sol, porque é no tempo bom que se decide quem vai permanecer na tempestade. Volte ao mundo, então, não mais como quem pertence a ele, mas como quem o atravessa de olhos abertos — alguém que aprendeu a usar a estrada sem confundi-la com a casa, a amar sem se prender, a viver no século sem ser do século. O cenário continuará lindo por mais algum tempo, e está tudo bem admirá-lo; só não jure mais por ele. Porque a moda deste mundo passa. E justamente por isso, bendito seja Deus, ela nunca foi, e nunca será, a sua casa. A sua casa é outra, mais antiga e mais firme do que tudo o que se vê — e está sendo edificada, pedra sobre pedra, em cada pensamento que você deixa o Senhor renovar.

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