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ARC · Capítulo 17/42

1O meu espirito se vae corrompendo, os meus dias se vão apagando, e tenho perante mim as sepulturas.

2Porventura não estão zombadores comigo? e os meus olhos não passam a noite chorando pelas suas amarguras?

3Promette agora, e dá-me um fiador para comtigo: quem ha que me dê a mão?

4Porque aos seus corações encobriste o entendimento, pelo que não os exaltarás.

5O que lisongeando falla aos amigos tambem os olhos de seus filhos desfallecerão.

6Porém a mim me poz por um proverbio dos povos, de modo que já sou uma abominação perante o rosto de cada um.

7Pelo que já se escureceram de magoa os meus olhos, e já todos os meus membros são como a sombra:

8Os rectos pasmarão d'isto, e o innocente se levantará contra o hypocrita.

9E o justo seguirá o seu caminho firmemente, e o puro de mãos irá crescendo em força.

10Mas, na verdade, tornae todos vós, e vinde cá; porque sabio nenhum acho entre vós.

11Os meus dias passam, os meus propositos se quebraram, os pensamentos do meu coração.

12Trocaram o dia em noite; a luz está perto do fim, por causa das trevas.

13Se eu esperar, a sepultura será a minha casa; nas trevas estenderei a minha cama.

14Á corrupção clamo: Tu és meu pae; e aos bichos: Vós sois minha mãe e minha irmã.

15Onde pois estaria agora a minha esperança? emquanto á minha esperança, quem a poderá ver

16As barras da sepultura descerão quando juntamente no pó haverá descanço.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

Jó continua expressando sua angústia, dizendo que seu espírito está se corrompendo e que já se tornou motivo de zombaria entre os povos. Ele afirma que sua única esperança agora repousa na sepultura, chamando a corrupção de "pai" e os vermes de "mãe e irmã".

Explicação

A linguagem chocante de Jó chamando a corrupção e os vermes de família reflete o auge de seu desespero, mostrando como ele já aceita a morte como companhia mais próxima e certa do que qualquer conforto humano restante. Apesar disso, mesmo neste capítulo sombrio, ele reafirma sua confiança de que "o justo seguirá o seu caminho firmemente" (verso 9), mantendo um resquício de fé na justiça moral mesmo em meio ao colapso emocional. Aplicação de hoje: é possível expressar desespero genuíno e profundo diante de Deus sem que isso signifique abandono total da fé ou da esperança última na justiça.

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