1Então respondeu Bildad o suhita, e disse:
2Com elle estão dominio e temor; elle faz paz nas suas alturas.
3Porventura teem numero as suas tropas? e sobre quem não surge a sua luz?
4Como pois seria justo o homem para com Deus? e como seria puro aquelle que nasce da mulher?
5Olha, até a lua não resplandece, e as estrellas não são puras aos seus olhos.
6E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho.
📖 Estudo do capítulo
Resumo
Bildade oferece seu terceiro e mais curto discurso, reafirmando de forma poética que Deus tem domínio e poder totais, e que nenhum ser humano pode ser considerado justo ou puro diante Dele, comparando a humanidade a um simples verme.
Explicação
Este é o discurso mais breve de todo o ciclo de debates, sugerindo talvez que os argumentos dos amigos estão se esgotando diante da persistência de Jó em defender sua inocência. A comparação da humanidade com "um verme" e "um bicho" (verso 6) leva ao extremo a doutrina da indignidade humana diante da santidade divina, um tema teológico verdadeiro, mas que, aplicado sem nuance à situação específica de Jó, novamente falha em abordar a questão real de por que ele sofre. Aplicação de hoje: reconhecer a grandeza de Deus e a pequenez humana diante Dele é importante, mas essa verdade não deve ser usada para evitar lidar com perguntas específicas e legítimas sobre justiça e sofrimento.
Curiosidades
- Este capítulo de apenas seis versículos é o mais curto discurso de todo o livro de Jó, um contraste notável com os longos e elaborados discursos anteriores dos mesmos personagens.
- A menção de que "até a lua não resplandece" e "as estrelas não são puras" aos olhos de Deus (verso 5) reflete uma visão comum na Antiguidade de que corpos celestes eram associados a divindades ou seres espirituais, aqui subordinados à pureza superior do Deus único de Israel.