1Porém Job respondeu e disse:
2Como ajudaste aquelle que não tinha força? e sustentaste o braço que não tinha vigor?
3Como aconselhaste aquelle que não tinha sabedoria, e plenamente lhe fizeste saber a causa, assim como era?
4A quem proferiste palavras? e cujo é o espirito que saiu de ti?
5Os mortos tremem debaixo das aguas, com os seus moradores d'ellas.
6O inferno está nú perante elle, e não ha coberta para a perdição.
7O norte estende sobre o vazio: a terra pendura sobre o nada.
8Prende as aguas nas suas nuvens, todavia a nuvem não se rasga debaixo d'ellas.
9Encobre a face do seu throno, e sobre ella estende a sua nuvem.
10Assignalou limite sobre a superficie das aguas ao redor d'ellas, até que se acabem a luz e as trevas.
11As columnas do céu tremem, e se espantam da sua ameaça.
12Com a sua força fende o mar, e com o seu entendimento abate a sua soberba.
13Pelo seu Espirito ornou os céus: a sua mão formou a serpente enroscadiça.
14Eis que isto são só as bordas dos seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido d'elle! Quem pois entenderia o trovão do seu poder?
📖 Estudo do capítulo
Resumo
Jó responde a Bildade com ironia, questionando como seu discurso realmente ajudou alguém sem força ou sabedoria. Ele então descreve, com admiração genuína, o vasto poder de Deus sobre a criação — dos mortos debaixo das águas até as colunas do céu.
Explicação
A resposta irônica de Jó ("como ajudaste aquele que não tinha força?") expõe que o discurso de Bildade, embora teologicamente correto sobre a grandeza de Deus, não ofereceu nenhuma ajuda prática ou consolo real para a situação de Jó. A poderosa descrição da criação que se segue — o Seol exposto, a terra suspensa sobre o nada, os limites do mar — mostra que Jó conhece e reverencia profundamente o poder de Deus tanto quanto seus amigos, mas isso não resolve sua questão central sobre a justiça em seu próprio sofrimento. Aplicação de hoje: reconhecer intelectualmente a grandeza de Deus não substitui a necessidade de consolo prático e companhia genuína durante o sofrimento.
Curiosidades
- A frase "a terra pendura sobre o nada" (verso 7) é notavelmente avançada para a cosmologia antiga, muitas culturas vizinhas de Israel imaginavam a terra apoiada sobre pilares, elefantes ou tartarugas, tornando esta descrição bíblica cientificamente perceptiva para sua época.
- A frase final do capítulo, "quão pouco é o que temos ouvido dele" (verso 14), antecipa o tema central dos discursos finais de Deus nos capítulos 38-41: a imensidão do conhecimento divino comparada à limitação do entendimento humano.