Song of Songs 4

KJV · Capítulo 4/8

1Behold, thou art fair, my love; behold, thou art fair; thou hast doves’ eyes within thy locks: thy hair is as a flock of goats, that appear from mount Gilead.

2Thy teeth are like a flock of sheep that are even shorn, which came up from the washing; whereof every one bear twins, and none is barren among them.

3Thy lips are like a thread of scarlet, and thy speech is comely: thy temples are like a piece of a pomegranate within thy locks.

4Thy neck is like the tower of David builded for an armoury, whereon there hang a thousand bucklers, all shields of mighty men.

5Thy two breasts are like two young roes that are twins, which feed among the lilies.

6Until the day break, and the shadows flee away, I will get me to the mountain of myrrh, and to the hill of frankincense.

7Thou art all fair, my love; there is no spot in thee.

8Come with me from Lebanon, my spouse, with me from Lebanon: look from the top of Amana, from the top of Shenir and Hermon, from the lions’ dens, from the mountains of the leopards.

9Thou hast ravished my heart, my sister, my spouse; thou hast ravished my heart with one of thine eyes, with one chain of thy neck.

10How fair is thy love, my sister, my spouse! how much better is thy love than wine! and the smell of thine ointments than all spices!

11Thy lips, O my spouse, drop as the honeycomb: honey and milk are under thy tongue; and the smell of thy garments is like the smell of Lebanon.

12A garden inclosed is my sister, my spouse; a spring shut up, a fountain sealed.

13Thy plants are an orchard of pomegranates, with pleasant fruits; camphire, with spikenard,

14Spikenard and saffron; calamus and cinnamon, with all trees of frankincense; myrrh and aloes, with all the chief spices:

15A fountain of gardens, a well of living waters, and streams from Lebanon.

16Awake, O north wind; and come, thou south; blow upon my garden, that the spices thereof may flow out. Let my beloved come into his garden, and eat his pleasant fruits.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

O amado descreve detalhadamente a beleza da amada, da cabeça aos pés, usando imagens da natureza. Ele a chama de jardim fechado e fonte selada, símbolos de exclusividade e pureza no amor.

Explicação

Este tipo de poema descritivo, chamado "wasf" na tradição árabe posterior, elogia cada parte do corpo da amada por meio de comparações com elementos conhecidos: rebanhos, torres, romãs, montanhas. Para o leitor moderno essas comparações podem soar estranhas, mas para o público antigo comunicavam abundância, força, fertilidade e perfeição. A imagem do "jardim fechado" e "fonte selada" expressa a exclusividade do amor conjugal, reservado apenas para o cônjuge. Aplicação de hoje: expressar admiração verbal pelo parceiro, com criatividade e ternura, fortalece a intimidade do casamento.

Curiosidades

  • O monte Líbano e o monte Hermom, citados aqui, eram picos cobertos de neve visíveis a grande distância, símbolos de majestade e pureza na poesia hebraica.
  • A palavra "esposa" (kalah) usada pelo amado nesta passagem é a mesma usada em outros textos do Antigo Testamento para noiva prometida em casamento.

Explicação versículo a versículo

  1. Song of Songs 4:1Comparar os cabelos da amada a um "rebanho de cabras" descendo o monte de Gileade soa estranho aos ouvidos de hoje, mas era um elogio: descrevia cabelos ondulados, fartos e em movimento, como o pelo escuro dessas cabras se deslocando em fila pela encosta.
  2. Song of Songs 4:2Comparar dentes brancos e parelhos a ovelhas recém-tosquiadas e lavadas, todas com gêmeos e nenhuma falhando, é um elogio bem-humorado à perfeição e simetria de um sorriso completo, sem dentes faltando.
  3. Song of Songs 4:3Comparar as faces a uma fatia de romã aberta, com sua cor rosada e textura pontilhada, é uma imagem sensorial bem específica da fruta comum na região, usada para descrever o rubor natural da pele.
  4. Song of Songs 4:4Comparar o pescoço a uma torre decorada com escudos pendurados é um elogio à postura elegante e erguida, unindo delicadeza física a uma imagem de força e proteção emprestada da arquitetura militar.
  5. Song of Songs 4:5A imagem de filhotes gêmeos de corça pastando entre lírios combina suavidade e simetria, uma comparação delicada que evita linguagem direta enquanto ainda descreve o corpo com admiração clara.
  6. Song of Songs 4:6Repetir a mesma expressão poética do capítulo 2 sobre sombras fugindo ao amanhecer sugere que esse encontro específico vai durar a noite inteira, até a claridade do dia seguinte chegar.
  7. Song of Songs 4:7Essa afirmação simples e direta de perfeição sem mancha funciona como conclusão do longo elogio físico que vem se acumulando desde o início do capítulo, antes de a cena mudar de tom no verso seguinte.
  8. Song of Songs 4:8Convidá-la a descer de montanhas distantes associadas a leões e leopardos é mais fantasia poética que geografia literal — uma forma de convite dramático para deixar um lugar perigoso e vir para perto dele.
  9. Song of Songs 4:9Chamá-la de 'irmã' aqui não indica parentesco literal, mas era um termo de carinho comum na poesia de amor do antigo Oriente Médio, usado entre casais para expressar intimidade e proximidade.
  10. Song of Songs 4:10Repetir a comparação do amor com o vinho, já usada logo no início do livro, mostra como certas imagens funcionam como fios condutores que amarram capítulos diferentes do poema.
  11. Song of Songs 4:11Associar o beijo dela a mel e leite combina doçura literal com uma expressão que também aparece descrevendo a terra prometida em outros livros bíblicos, elevando o elogio a um nível quase de bênção.
  12. Song of Songs 4:12A expressão "jardim fechado... fonte selada" descreve a exclusividade e a intimidade reservada entre o casal, uma imagem de algo precioso guardado e não aberto para qualquer um.
  13. Song of Songs 4:13Descrever a amada como um pomar cultivado, cheio de plantas raras e aromáticas, estende a metáfora do 'jardim fechado' do verso 12 para uma lista detalhada do que esse jardim conteria.
  14. Song of Songs 4:14Essa lista de especiarias reúne produtos vindos de rotas comerciais distantes, Índia, Arábia, além do Mediterrâneo — uma forma de dizer que ela reúne em si o melhor de tudo que vinha de terras estrangeiras.
  15. Song of Songs 4:15Água corrente, chamada de 'viva' em contraste com água parada de cisterna, era um bem valioso no clima seco da região — a imagem de uma fonte assim descreve algo raro, puro e continuamente renovado.
  16. Song of Songs 4:16O convite para o vento soprar no jardim e para o amado vir comer seus frutos é uma linguagem sensual sobre a união entre os dois, usando a natureza como metáfora para o encontro amoroso sem descrever nada de forma explícita.

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