Números 30

ARC · Capítulo 30/36

1E fallou Moysés aos Cabeças das tribus dos filhos d'Israel, dizendo: Esta é a palavra que o Senhor tem ordenado:

2Quando um homem fizer voto ao Senhor, ou jurar juramento, ligando a sua alma com obrigação, não violará a sua palavra: segundo tudo o que saiu da sua bocca, fará.

3Tambem quando uma mulher fizer voto ao Senhor, e com obrigação se ligar em casa de seu pae na sua mocidade;

4E seu pae ouvir o seu voto e a sua obrigação, com que ligou a sua alma; e seu pae se calar para com ella, todos os seus votos serão valiosos: e toda a obrigação com que ligou a sua alma, será valiosa.

5Mas se seu pae lhe tolher no dia que tal ouvir, todos os seus votos e as suas obrigações, com que tiver ligado a sua alma, não serão valiosos: mas o Senhor lh'o perdoará, porquanto seu pae lh'os tolheu.

6E se ella tiver marido, e fôr obrigada a alguns votos, ou á pronunciação dos seus beiços, com que tiver ligado a sua alma

7E seu marido o ouvir, e se calar para com ella no dia em que o ouvir, os seus votos serão valiosos: e as suas obrigações com que ligou a sua alma, serão valiosas.

8Mas se seu marido lh'o tolher no dia em que o ouvir, e anullar o seu voto a que estava obrigada, como tambem a pronunciação dos seus beiços, com que ligou a sua alma; o Senhor lh'o perdoará.

9No tocante ao voto da viuva, ou da repudiada; tudo com que ligar a sua alma, sobre ella será valioso.

10Porém se fez voto na casa de seu marido, ou ligou a sua alma com obrigação de juramento;

11E seu marido o ouviu, e se calou para com ella, e lh'o não tolheu; todos os seus votos serão valiosos; e toda a obrigação, com que ligou a sua alma, será valiosa.

12Porém se seu marido lh'os annullou no dia em que os ouviu; tudo quanto saiu dos seus beiços, quer dos seus votos, quer da obrigação da sua alma, não será valioso: seu marido lh'os annullou, e o Senhor lh'o perdoará.

13Todo o voto, e todo o juramento d'obrigação, para humilhar a alma, seu marido o confirmará, ou annullará.

14Porém se seu marido de dia em dia se calar inteiramente para com ella; então confirma todos os seus votos e todas as suas obrigações, que estiverem sobre ella: confirmado lh'os tem, porquanto se calou para com ella no dia em que o ouviu.

15Porém se de todo lh'os annullar depois que o ouviu; então elle levará a iniquidade d'ella.

16Estes são os estatutos que o Senhor ordenou a Moysés entre o marido e sua mulher; entre o pae e a sua filha, na sua mocidade, em casa de seu pae.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

Deus estabelece leis sobre votos e juramentos, especialmente sobre a autoridade do pai ou marido de anular o voto de uma filha solteira ou esposa, caso o façam imediatamente ao saber dele; caso contrário, o voto permanece válido.

Explicação

Este capítulo trata da seriedade dos votos feitos a Deus ('não violará a sua palavra'), mas também reconhece a estrutura familiar da época, na qual mulheres solteiras ou casadas estavam sob a autoridade legal do pai ou marido, que podia revogar um voto que considerasse prejudicial à família, desde que o fizesse no mesmo dia em que soubesse dele. É importante notar que essa lei protegia a mulher de consequências severas por um voto impulsivo, já que ela não seria culpada se o voto fosse anulado por seu responsável legal ('o Senhor lho perdoará'). Ao mesmo tempo, viúvas e mulheres divorciadas, sem essa autoridade masculina sobre elas, tinham plena responsabilidade e validade sobre seus próprios votos, mostrando uma independência legal notável para essas mulheres dentro do contexto antigo.

Curiosidades

  • Este é um dos poucos capítulos da Lei que trata extensivamente da autonomia legal específica das mulheres dentro da estrutura familiar israelita, sendo citado por estudiosos modernos tanto como reflexo das limitações patriarcais da época quanto como uma proteção legal genuína contra consequências desproporcionais de promessas precipitadas.
  • Jefté, mais tarde em Juízes 11, faz um voto precipitado com consequências trágicas envolvendo sua própria filha — um episódio frequentemente lido em conjunto com este capítulo como advertência sobre a seriedade de fazer votos sem pensar cuidadosamente nas implicações.

Explicação versículo a versículo

  1. Números 30:1Moisés transmite aos líderes das tribos uma nova instrução do Senhor, dessa vez sobre a seriedade de votos e juramentos.
  2. Números 30:2A regra geral para os homens é direta: quem faz um voto ou jura um compromisso ao Senhor precisa cumprir exatamente o que prometeu, sem quebrar a palavra.
  3. Números 30:3Se uma mulher jovem, ainda morando na casa do pai, fizesse um voto a Deus, o pai tinha o direito de anular esse voto no mesmo dia em que soubesse dele; se ficasse calado, o voto valia. É uma lei que reflete a estrutura de autoridade familiar da época, em que pais e depois maridos podiam validar ou cancelar certos compromissos assumidos pelas mulheres da casa.
  4. Números 30:4Se o pai ouvir o voto da filha e não disser nada contra ele, esse voto passa a valer normalmente.
  5. Números 30:5Mas se o pai discordar assim que souber do voto, ele é anulado, e a filha fica livre da obrigação, já que foi o próprio pai quem impediu.
  6. Números 30:6A mesma lógica se aplicava ao marido: se a mulher tivesse feito um voto antes ou depois de se casar, o marido podia anulá-lo ao ouvir falar dele, contanto que fizesse isso logo, no mesmo dia. Se ele ficasse calado, o voto ficava valendo normalmente.
  7. Números 30:7No caso de uma mulher casada, se o marido ouvir o voto dela e ficar calado, o voto vale normalmente.
  8. Números 30:8Se o marido discordar assim que souber, o voto é anulado, e ela fica livre da obrigação por causa dessa objeção dele.
  9. Números 30:9Já para viúvas ou mulheres divorciadas, sem marido ou pai para anular nada, qualquer voto feito por elas vale integralmente.
  10. Números 30:10A regra muda um pouco quando a mulher fez o voto já estando casada, dentro da própria casa do marido.
  11. Números 30:11Se o marido souber do voto e não disser nada, esse voto continua valendo normalmente.
  12. Números 30:12Mas se o marido anular o voto assim que souber, ele deixa de valer, e a mulher é liberada dessa obrigação.
  13. Números 30:13Cabe ao marido decidir se confirma ou anula qualquer voto ou juramento feito pela esposa, especialmente os que envolvem algum tipo de sacrifício pessoal.
  14. Números 30:14Se o marido simplesmente deixar passar os dias sem se manifestar, isso já conta como confirmação silenciosa de todos os votos da esposa.
  15. Números 30:15Mas se ele anular o voto só depois de um tempo, sem ter se manifestado logo de cara, a responsabilidade por essa demora recai sobre ele, não sobre ela.
  16. Números 30:16O capítulo fecha resumindo essas regras: elas regulam a relação entre marido e mulher, e entre pai e filha ainda solteira morando em casa.

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