Cânticos 2

BLIVRE · Capítulo 2/8

1Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.

2[Ele] : Como um lírio entre os espinhos, assim é minha querida entre as moças.

3[Ela] : Como a macieira entre as árvores do bosque, assim é o meu amado entre os rapazes; debaixo de sua sombra desejo muito sentar, e doce é o seu fruto ao meu paladar.

4Ele me leva à casa do banquete, e sua bandeira sobre mim é o amor.

5Sustentai-me com passas, fortalecei-me com maçãs; porque estou fraca de amor.

6[Esteja] sua mão esquerda abaixo de minha cabeça, e sua direita me abraça.

7Eu vos ordeno, filhas de Jerusalém: jurai pelas corças e pelas cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis ao amor, até que ele queira.

8[Esta é] a voz do meu amado: vede-o vindo, saltando sobre os montes, pulando sobre os morros.

9Meu amado é semelhante ao corço, ou ao filhote de cervos; eis que está atrás de nossa parede, olhando pelas janelas, observando pelas grades.

10Meu amado me responde, e me diz:[Ele] : Levanta-te, querida minha, minha bela, e vem.

11Porque eis que o inverno já passou; a chuva se acabou, e foi embora.

12As flores aparecem na terra, o tempo da cantoria chegou; e ouve-se a voz da rolinha em nossa terra.

13A figueira está produzindo seus figos verdes, e as vides florescentes dão cheiro; levanta-te, querida minha, minha bela, e vem.

14Pomba minha, que andas pelas fendas das rochas no oculto das ladeiras, mostra-me tua face, faze-me ouvir tua voz; porque tua voz é doce, e tua face agradável.

15Tomai-nos as raposas, as raposinhas, que danificam as vinhas, porque nossas vinhas estão florescendo.

16Meu amado é meu, e eu sou sua; ele apascenta entre os lírios.

17Antes do dia se romper, e das sombras fugirem, volta, amado meu, faze-te semelhante ao corço, ao filhote de cervos, sobre os montes de Beter.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

A amada se compara a uma rosa e a um lírio, e o amado é comparado a uma macieira frutífera. Ele a convida a sair, pois o inverno passou e a primavera chegou. Ela pede que não se desperte o amor antes do tempo certo.

Explicação

As imagens de primavera — flores, figueira brotando, vinhas floridas — retratam a natureza de Israel entre março e abril, quando o inverno chuvoso termina. Para os ouvintes originais, essas metáforas agrícolas comunicavam vitalidade, renovação e o tempo apropriado para o amor florescer. O refrão "não desperteis o amor até que queira" (repetido três vezes no livro) ensina que o amor tem seu tempo certo e não deve ser forçado ou apressado. Aplicação de hoje: relacionamentos saudáveis respeitam o tempo natural de amadurecimento, sem pressa artificial.

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