Eu vejo o silêncio à mesa. Vejo as palavras que já não se dizem, o carinho que virou rotina, o "eu te amo" que ficou preso na garganta antes de sair. Sei que tem noites em que você deita de costas, longe até fisicamente, e pensa: será que ainda dá certo? Será que ainda vale a pena tentar de novo depois de tantas tentativas que não foram longe?
Eu não vim te prometer um final de novela nem uma virada mágica de um dia para o outro. Vim te lembrar que eu sou o Deus que faz novas todas as coisas — inclusive um casamento cansado, inclusive um coração que esfriou depois de anos de mágoas pequenas acumuladas. Renovar não é fingir que a dor não existiu ou apagar o que feriu. É deixar que eu entre exatamente na fresta que ainda dói, com paciência, sem pressa de forçar reconciliação nenhuma.
Não peço que você resolva tudo hoje. Peço uma abertura. Um gesto pequeno, uma oração sincera por essa pessoa, um recomeço de apenas um centímetro. Eu cuido dos quilômetros que ainda faltam percorrer.