Meu filho, minha filha, eu sei o que você fez ontem. Sei da palavra que machucou, da escolha errada, do dia em que você jurou que não ia cair de novo e caiu de novo. Eu vi tudo — o arrependimento tardio, a vergonha que apertou o peito, a vontade de simplesmente desaparecer por um tempo. E ainda assim, aqui estou, abrindo esta manhã só para você, como se ontem não tivesse o poder final que você imagina que tem.
Você tem colocado ponto final onde eu só coloco vírgula. Você fecha a porta e diz "não mereço mais"; eu abro a janela e digo "vem, vamos continuar". Minha misericórdia não é um prêmio por bom comportamento nem uma medalha para quem nunca escorregou. Ela é o ar que eu respiro por você todos os dias, de novo, sem cansar, sem cobrar juros pelo que já passou.
Hoje não é sobre apagar o que aconteceu nem fingir que não doeu. É sobre levantar com o que sobrou de força e caminhar comigo, um passo de cada vez. Eu não olho para trás para te cobrar. Eu olho para frente e te chamo pelo nome.