28

BLIVRE · Capítulo 28/42

1Certamente há minas para a prata, e o ouro lugar onde o derretem.

2O ferro é tirado do solo, e da pedra se funde o cobre.

3O [homem] põe fim às trevas, e investiga em toda extremidade, as pedras que estão na escuridão e nas mais sombrias trevas.

4Abre um poço onde não há morador, lugares esquecidos por quem passa a pé; pendurados longe da humanidade, vão de um lado para o outro.

5Da terra o pão procede, e por debaixo ela é transformada como que pelo fogo.

6Suas pedras são o lugar da safira, e contém pó de ouro.

7A ave de rapina não conhece essa vereda; os olhos do falcão não a viram.

8Os filhotes de animais ferozes nunca a pisaram, nem o feroz leão passou por ela.

9[O homem] põe sua mão no rochedo, e revolve os montes desde a raiz.

10Cortou canais pelas rochas, e seus olhos veem tudo o que é precioso.

11Ele tapa os rios desde suas nascentes, e faz o oculto sair para a luz.

12Porém onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência?

13O ser humano não conhece o valor dela, nem ela é achada na terra dos viventes.

14O abismo diz: Não está em mim; E o mar diz: Nem comigo.

15Nem por ouro fino se pode comprar, nem se pesar em troca de prata.

16Não pode ser avaliada com ouro de Ofir, nem com ônix precioso, nem com safira.

17Não se pode comparar com ela o ouro, nem o cristal; nem se pode trocar por joia de ouro fino.

18De coral nem de quartzo não se fará menção; porque o preço da sabedoria é melhor que o de rubis.

19O topázio de Cuxe não se pode comparar com ela; nem pode ser avaliada com o puro ouro fino.

20De onde, pois, vem a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência?

21Porque encoberta está aos olhos de todo vivente, e é oculta a toda ave do céu.

22O perdição e a morte dizem: Com nossos ouvidos ouvimos sua fama.

23Deus entende o caminho dela, e ele conhece seu lugar.

24Porque ele enxerga até os confins da terra, e vê tudo [o que há] debaixo de céus.

25Quando ele deu peso ao vento, e estabeleceu medida para as águas;

26Quando ele fez lei para a chuva, e caminho para o relâmpago dos trovões,

27Então ele a viu, e relatou; preparou-a, e também a examinou.

28E disse ao homem: Eis que o temor ao Senhor é a sabedoria, e o desviar-se do mal [é] a inteligência.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

Este capítulo é um poema independente sobre a busca humana por minerais preciosos nas profundezas da terra, contrastado com a busca ainda mais difícil pela verdadeira sabedoria, que não pode ser comprada nem encontrada por esforço humano algum. A conclusão afirma que o temor do Senhor é a sabedoria.

Explicação

Este é um dos poemas mais elogiados literariamente da Bíblia, funcionando como um interlúdio entre os discursos dos amigos e a resposta final de Jó, elevando a discussão a um nível mais contemplativo. A detalhada descrição da mineração — poços escavados, rochas transtornadas, rios desviados para revelar tesouros escondidos — reflete conhecimento técnico real das práticas de mineração de metais e pedras preciosas no antigo Oriente Médio. A conclusão de que "o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal, a inteligência" (verso 28) resume de forma memorável a resposta do livro à pergunta sobre onde encontrar verdadeira sabedoria: não através de exploração ou riqueza, mas através de reverência a Deus. Aplicação de hoje: por mais que se avance tecnologicamente na busca por recursos materiais, a verdadeira sabedoria sobre como viver continua sendo encontrada apenas na reverência a Deus.

Capítulos