Você mora numa cidade de milhões e às vezes passa o dia inteiro sem trocar uma palavra de verdade com ninguém. O prédio é cheio de vizinhos que nem cumprimenta. O celular tem centenas de contatos, e nenhum que atenda de madrugada.
A solidão da multidão é diferente da solidão do deserto — dói mais, porque parece contraditória: como se sentir tão só cercado de tanta gente? Eu sei dessa dor. Sei do jantar sozinho, da mensagem que você digitou e apagou de tanta vergonha de parecer carente.
Eu prometo recolher quem se sente abandonado, mesmo quando a família ou os amigos falham. Recolher é mais que consolar de longe — é aproximar, é colocar gente certa no seu caminho, no tempo certo. Enquanto isso não chega por inteiro, eu mesmo sou sua companhia nas noites mais silenciosas. Você não está tão sozinho quanto parece.