A casa ainda guarda o cheiro, a voz ainda ecoa em certos cantos, e você se pega discando um número que ninguém mais atende do outro lado. O luto não segue calendário, e ninguém tem o direito de te apressar a “seguir em frente”.
Eu não chamei de bem-aventurado quem finge que está bem. Chamei de bem-aventurado quem chora, porque a dor sincera é o caminho, não o obstáculo, para o consolo que eu quero dar. Chorar não é falta de fé, é sinal de que amou de verdade.
Eu estou com você nesse luto, mesmo quando ninguém mais sabe o que dizer. Não vim apagar a saudade nem substituir quem partiu — vim caminhar com você por esse vale, dia após dia, até que a dor, sem desaparecer de todo, aprenda a conviver com a esperança de que um dia tudo isso vai fazer sentido diante de mim.