Você olha pra cadeira vazia na mesa, pro quarto arrumado demais porque ninguém mexe nele, e pergunta se aquele filho, aquela filha, ainda vai voltar. A dor de amar alguém que escolheu ficar longe é uma das mais silenciosas que existem, porque ninguém pergunta por ela numa conversa de elevador.
Eu conheço essa dor melhor do que ninguém. A parábola que eu contei sobre o filho que saiu de casa não termina com o pai desistindo de olhar pro caminho. Ela termina com o pai correndo, porque nunca parou de esperar, nem quando doía esperar, nem quando os vizinhos já tinham perdido a conta dos dias.
Eu não controlo a vontade de ninguém, porque também dei liberdade aos meus filhos. Mas eu continuo correndo em direção a cada um que volta, e continuo trabalhando em silêncio no coração de quem ainda está longe. Sua esperança não é ingenuidade, é imitar o meu jeito de amar: de portas abertas.