Meu filho, minha filha, eu sei que você já perdoou essa pessoa mais vezes do que consegue contar nos dedos. E a pergunta que fica é: até quando? Até quando eu vou ter que perdoar de novo a mesma dor, o mesmo padrão, a mesma decepção?
Eu não te pedi para contar. Pedi para parar de contar. Setenta vezes sete não é um número exato para você marcar num caderno. É a minha forma de dizer que o perdão não tem um limite depois do qual você para de amar. Isso não significa aceitar tudo calado, nem virar tapete para ninguém pisar. Significa que seu coração não precisa endurecer a cada nova ofensa.
Eu perdoo você mais vezes do que você imagina, todos os dias, em coisas que nem percebe. Não porque eu sou ingênuo, mas porque escolhi te amar sem prazo de validade. Eu só peço que você deixe esse mesmo amor passar por você até a próxima pessoa.