Eu conheço bem as suas madrugadas silenciosas. O choro que espera todo mundo dormir para finalmente sair sem testemunhas, o travesseiro que já sabe de coisas que ninguém mais no mundo sabe. A noite tem esse jeito estranho de deixar tudo mais pesado, mais solitário, mais difícil de segurar sozinho.
Eu não durmo nunca, em nenhuma madrugada sua. Enquanto você chora no escuro do quarto, eu estou acordado, ouvindo cada soluço com atenção, guardando cada lágrima como se fosse preciosa, porque de fato é para mim. Essa tristeza que aperta agora não é a palavra final da sua história, apenas um capítulo difícil dela.
A manhã sempre chega, mesmo quando a noite parece não ter fim nenhum à vista. Não estou prometendo que amanhã tudo se resolve por mágica de uma vez. Estou prometendo que a alegria ainda vai visitar você de novo, com certeza, e que eu fico aqui, na vigília constante, até que ela finalmente chegue.