Eu vi o aperto no seu peito quando teve que admitir a perda financeira para as pessoas ao redor, o constrangimento de pedir ajuda pela primeira vez, de cortar coisas que pareciam básicas até pouco tempo atrás. Perder patrimônio mexe também com a dignidade da pessoa, e isso ninguém avisa direito antes de acontecer.
Jó perdeu praticamente tudo em um único dia, de uma vez só, e ainda assim conseguiu dizer meu nome com reverência, no meio da devastação total. Não porque não doeu, longe disso. Doeu profundamente, como dói em você agora. Mas porque ele sabia, lá no fundo, que seu valor nunca esteve na conta bancária nem nos bens que possuía.
Eu não meço seu valor pelo extrato do banco, nunca medi assim. E prometo caminhar contigo na reconstrução, passo a passo, sem pressa de fingir que está tudo resolvido antes da hora certa. A vergonha não precisa morar na sua mesa todos os dias. Só a esperança de recomeçar, com calma.