Eu vi você guardando aquele sonho na gaveta, meio sem jeito, tentando se convencer de que talvez ele nunca aconteça mesmo. Não é fácil enterrar algo que você regou por anos inteiros com esperança e esforço de verdade. Esse luto também é luto de verdade, mesmo que ninguém dê os pêsames por ele, porque não é uma pessoa que morreu.
Eu não prometo reviver exatamente o sonho do jeito que você imaginou lá atrás, com todos os detalhes originais. Mas eu sou o manancial da vida, e mananciais não secam de verdade: eles encontram outro caminho para continuar correndo. Talvez o que morreu abra espaço para algo que você ainda nem sabe como pedir hoje.
Deixa eu chorar com você por esse sonho antigo hoje, sem apressar a superação. Amanhã, ou daqui a um tempo que só eu conheço, eu mostro a luz que vem depois dessa despedida. Mas primeiro, é permitido sentir a perda inteira, sem precisar já enxergar o próximo capítulo da sua história.