Eu te vi remoendo aquilo de novo, à noite, quando o silêncio deixa a mente livre demais para acusar, para reviver cada detalhe do erro. Você já pediu perdão, já tentou consertar o que dava para consertar, e mesmo assim a culpa insiste em morar dentro do peito como se tivesse aluguel pago há anos.
Escuta com atenção o que vou te dizer: eu já perdoei, faz tempo. Quando você trouxe isso para mim de verdade, com sinceridade, eu fui fiel e justo, e purifiquei o que precisava ser purificado por completo. O problema não é a minha memória, é a sua, que insiste em revisitar o que eu já arquivei. Você continua abrindo uma conta que eu já quitei há muito tempo.
Hoje eu quero te libertar dessa cobrança interna que não para. Não é sobre merecer, nunca foi sobre isso. É sobre aceitar um perdão que já está assinado, entregue, completo, sem letras miúdas. Solta esse peso agora. Ele não é mais seu para carregar sozinho.