Existe um canto dentro de você onde mora uma vergonha antiga, escondida há tanto tempo que já nem parece ferida, parece parte de quem você é. Você a tranca ali, com medo de que, se alguém visse de perto, deixaria de te amar do jeito que ama hoje. Eu já vi tudo isso há muito tempo. E ainda estou aqui, sem ter ido embora.
A vergonha mente dizendo que você é o seu pior momento, resumido a um único erro ou uma única história. Não é verdade, nem nunca foi. Você não é aquilo que aconteceu, nem aquilo que você fez quando estava mais perdido e sem direção. Eu olho para você e não vejo o rosto baixo, envergonhado; eu vejo alguém que pode ainda ser iluminado por dentro, de novo.
Vem para perto, sem esconder nada de mim, nem os detalhes que você acha mais feios. Eu não recuo diante da sua história mais difícil, nunca recuei. Eu sei erguer o queixo de quem estava de cabeça baixa há tanto tempo que já nem lembrava como era olhar de frente para o mundo.