Eu te vi ontem tocando naquela lembrança de novo, sem querer, e sentindo a dor voltar como se tivesse acontecido ontem mesmo. Cicatriz também dói, filho, filha, mesmo depois de fechada. Ninguém te contou isso direito. Achavam que cicatriz era coisa resolvida, um capítulo virado de vez, e por isso você se sente estranho quando ela ainda arde.
Eu não trato ferida como estatística de tempo passado. Não é porque já faz anos que deveria estar tudo bem, sem nenhum resquício. Eu ligo cada ferida no meu próprio tempo, com o cuidado de quem enfaixa devagar, sem apertar demais, sem machucar de novo o que já sofreu bastante.
Deixa eu olhar essa cicatriz de perto hoje, com atenção de verdade. Não para reabrir por reabrir, sem propósito, mas para finalmente limpar o que ficou embaixo da pele, o que nunca foi tratado direito na época certa. Eu tenho paciência com esse processo inteiro. Você também pode aprender a ter.