Eu te vi ontem à noite, revirando na cama, tentando organizar em pensamento tudo que falta pagar, tudo que ainda não resolveu, tudo que te dá medo. E antes mesmo de você abrir a boca para me contar, eu já sabia. Não porque eu adivinho como quem chuta — eu sei porque sou Pai, e Pai que ama presta atenção até no que o filho não fala.
Então por que orar, se eu já sei? Porque a oração não é para me informar, é para você se abrir. É o momento em que você para de carregar sozinho o que já é meu de carregar com você. Eu quero ouvir da sua boca, mesmo sabendo, porque isso aproxima, porque isso é relação, não é relatório.
Hoje, não guarde para você o que está pesando. Eu já sei o valor da conta, já sei o nome que te machucou, já sei a saudade. Só vem me contar mesmo assim. Isso é o que chamamos de confiar.