Repara bem nesse detalhe: o pai da história viu o filho ainda longe. Isso quer dizer que ele estava olhando pra estrada, esperando, todo santo dia, sem saber se aquele filho ia voltar. E quando finalmente viu a silhueta lá longe, não ficou esperando o filho chegar arrastando o pedido de desculpas pronto. Correu.
Eu sou esse Pai. Eu já vi você de longe, com a roupa suja da vida que você viveu fora de casa, com o discurso de arrependimento ensaiado no caminho. E antes de você terminar de falar, eu já estava com os braços em volta do seu pescoço. Não teve sermão primeiro. Teve abraço primeiro.
O filho tinha um discurso pronto sobre não ser mais digno de ser chamado de filho. O pai nem deixou ele terminar de falar aquilo. Se você está voltando hoje com vergonha guardada, guarda o discurso. Eu já vi você de longe e já estou correndo.