Meu filho, minha filha, eu conheço o cansaço de quem vive cobrando de si mesmo um erro antigo, revivendo a mesma cena de vergonha sempre que a memória decide voltar. Você já pediu perdão, já tentou emendar o que deu pra emendar, e mesmo assim continua se punindo por dentro, como se eu ainda guardasse aquilo contra você numa gaveta trancada.
Mas eu quero deixar bem claro, sem meio-termo: eu mesmo apago suas transgressões. Não é você quem apaga com esforço próprio, com penitência, com sofrimento extra — sou eu quem risca, por amor a mim mesmo, porque é assim que eu escolhi te amar desde o princípio. E dos seus pecados perdoados, eu simplesmente não me lembro mais, como se nunca tivessem existido entre nós.
Se eu não guardo mais essa conta contra você, por que você continua guardando, revisitando, se cobrando por algo que já foi resolvido? Solta esse peso hoje mesmo. Ele já foi apagado há muito tempo, e você é livre pra viver sem carregar essa dívida quitada.