Eclesiastes 6
- Há um mal que vi abaixo do sol, e é muito frequente entre os homens:
- Um homem a quem Deus deu riquezas, bens, e honra; e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja; porém Deus não lhe dá poder para dessas coisas comer; em vez disso, um estranho as come; isso é futilidade e um mal causador de sofrimento.
- Se o homem gerar cem [filhos] , e viver muitos anos, e os dias de seus anos forem muitos, porém se sua alma não se saciar daquilo que é bom, nem tiver sepultamento, digo que ter sido abortado [teria sido] melhor para ele.
- Pois veio em futilidade, e se vai em trevas; e nas trevas seu nome é encoberto.
- [Alguém] que nunca tivesse visto o sol, nem [o] conhecido, teria mais descanso do que ele.
- E ainda que vivesse mil anos duas vezes, e não experimentasse o que é bom, por acaso não vão todos para o mesmo lugar?
- Todo o trabalho do homem é para sua boca; porém sua alma nunca se satisfaz.
- Pois que vantagem tem o sábio sobre o tolo? E que [mais] tem o pobre que sabe como se comportar diante dos vivos?
- Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cobiça; também isto é fútil [como] perseguir o vento.
- Seja o que for, seu nome já foi chamado; e [já] se sabe o que o homem é; e que não pode disputar contra aquele que é mais poderoso do que ele.
- Pois quanto mais palavras há, maior é a futilidade; e que proveito há [nelas] para o homem?
- Pois quem sabe o que é bom nesta vida para o homem, durante os dias de sua vida de futilidade, os quais ele gasta como sombra? Pois quem contará ao homem o que haverá depois dele abaixo do sol?
Texto: Bíblia Livre — CC BY 4.0
💡 Entenda Eclesiastes 6
Resumo
O pregador descreve o caso triste de um homem rico que não consegue desfrutar de suas riquezas, dizendo que um natimorto teria mais descanso do que ele. Ele conclui que o desejo humano nunca se satisfaz plenamente.
Explicação
Este capítulo intensifica a reflexão sobre a futilidade de acumular riqueza sem propósito: de que adianta ter tudo se Deus não concede a capacidade de desfrutar? A comparação com o natimorto, embora chocante para os padrões modernos, era uma forma retórica hebraica extrema para enfatizar que existência sem satisfação genuína é pior do que não existir. O capítulo termina com perguntas retóricas sem resposta fácil, reconhecendo os limites do conhecimento humano sobre o que realmente é bom na vida. Aplicação de hoje: gratidão pelo pouco que se pode genuinamente desfrutar vale mais do que acumular sem limites e sem alegria.
Curiosidades
- A afirmação de que "o trabalho do homem é para a sua boca" (verso 7) ecoa um provérbio semelhante encontrado em textos de sabedoria egípcios antigos, mostrando como essas reflexões sobre os limites da satisfação humana eram um tema comum na literatura sapiencial do Oriente Próximo.
- Este é um dos capítulos mais curtos do livro, mas funciona como uma dobradiça: fecha a primeira metade de reflexões sobre vaidade e riqueza, abrindo caminho para os conselhos práticos de sabedoria dos capítulos seguintes.